segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Educação como Ação Direta.

A Comissão de Educação do IX ELAOPA proporcionou que pudéssemos ir avançando nas discussões, como: a educação popular para a alfabetização; os efeitos das políticas educacionais sobre os docentes; as diferentes roupagens para uma mesma educação subordinada a lógicas capitalistas de dominação; as formas de resistência encontradas para fazer frente a esses quadros; o lugar da educação na sociedade, etc. No sentido de pensarmos em formas coordenadas de iniciativas para além das trocas de experiências e características da educação em cada região.
      
Estavam presentes diferentes sujeitos e militâncias: estudantes que tratam a educação sob sua perspectiva de militância estudantil; educadores populares que centram suas atuações muitas vezes em espaços não institucionalizados de educação, em movimentos, etc e também professores sindicalizados e/ou atuantes em escolas particulares, estaduais e municipais.

 
 
Debateu-se os conceitos que denominam as práticas de uma educação como ação direta, transformadora e popular. Educação do povo pelo povo. Abordando a importância dos espaços educacionais serem democráticos e autogestionários, que a prática pedagógica demande das educandas e educandos a necessidade da autonomia, da reflexão e da intervenção crítica na sociedade opressora. Uma educação que vá além da competitividade de mercado, onde o professor é mero capital humano, executor de tarefas pré-concebidas pelo monopólio das editoras nos currículos e livros escolares, e onde os educandos são meros clientes de uma educação ‘bancária’, reducionista, que impõem o estudo dos objetos e de sua estética em detrimento dos sujeitos e processos da realidade.
 
A busca por uma educação revolucionária, aliando o trabalho, a sobrevivência e a resistência.
 

“A relação pedagógica não pode ser limitada às relações especificamente ‘escolásticas’, através das quais as novas gerações entram em contato com as antigas e absorvem as suas experiências e os seus valores historicamente necessários ‘amadurecendo’ e desenvolvendo uma personalidade própria, histórica e culturalmente superior” (Antonio Gramsci). Ela é, ou deveria ser, a oposição concreta entre elite e povo, entre um poder burguês e um poder popular, entre a prática burocrática e a prática popular. Por isso a necessidade de trabalharmos na formação do educador popular e de sua inserção nos espaços educacionais.
“Insistir hoje que o estado será transformado de fora, pela contracultura, é ignorar o que a história recente nos ensinou. O estado, quando lhe interessa, sob o regime capitalista, coopta e assimila a contracultura.(...) As mudanças, ao contrário, operam-se por dentro na lenta tarefa de transformação da ideologia, na guerrilha ideológica travada na escola” (Moacir Gadotti).
“A pedagogia e a política coincidem entre si” (Antonio Gramsci).

Leonardo Schneider (educador)

 

[Recife] Ato contra aumento das tarifas movimenta centro


Mesmo sem radicalização, o ato contra o aumento das passagens gerou movimentação no centro do Recife. O ato, com caráter de passeata, foi da Avenida Conde da Boa Vista até a Agamenon Magalhães, e depois pela Conde da Boa Vista novamente. Durante o percurso, cerca de 100 pessoas fecharam alguns cruzamentos das avenidas centrais.

O protesto foi pacífico e a força policial apenas acompanhava as entidades e independentes do Comitê Contra o Aumento das Passagens, sem dar indícios de repressão. Parecia ser uma manifestação sem maiores enfrentamentos.

No entanto, alguns momentos preocupantes foram protagonizados por manifestantes e populaçao motorizada. Um motoqueiro, na ansia de furar o bloqueio das pessoas, caiu. Mais grave: um motorista impaciente acelerou o carro enquanto ainda havia pessoas na sua frente. Um dos companheiros sofreu um quase atropelamento, pois, no momento em que o carro acelerou, ele pulou em cima do veículo e literalmente “surfou” por cerca de 100 metros sem que o motorista parasse o carro.
Não se espera solidariedade daqueles que nao precisam do transporte coletivo: motoristas de carro e moto são a reproduçao de uma cidade feita para veículos e não para pessoas. No entanto, ainda estamos buscando estratégias de mobilizar mais pedestres, pois houve pouca adesão nos últimos protestos.

Convidamos todxs para as próximas atividades de mobilização do comitê:

Terça-feira (01.02): twittaço; panfletagem às 20h na Terça Negra
 
Quarta-feira (02.02): Dia de Mobilização nas escolas públicas do complexo do Parque 13 de maio, início da manhã e início da tarde
 
Sexta-feira (04.02): Ato com concentração do xadrez do Parque 13 de maio

Fonte: Comitê contra o aumento das passagens

vamos estudar Reich?

Então galera, algumas pessoas estarão começando na segunda (07/02) a estudar somaterapia, bioenergética, Reich e afins… trata-se de um formato no estilo de grupo de estudos. A gente lê previamente, e conversa a respeito, descontraidamente, de maneira autogestionada.
Caso se interesse é só aparecer…
Então resumindo:
local: DAPsi –  UFPE (2 andar do CFCH)
horário: 14h
data: 07-02 do corrente ano

Caso você nao consiga ler tudo, não se acanhe. Querendo, pode ir assm mesmo!

Organização: Contramola

domingo, 30 de janeiro de 2011

Casarão das artes!

Colóquio de História & Arte - Edição 2011


O Grupo de Estudo em História da Arte da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, juntamente com o Departamento de História da UFRPE, se propõem a realizar o Colóquio de História & Arte, que acontecerá na própria universidade, situada na cidade de Recife, capital de Pernambuco, entre os dias 10 e 13 de maio de 2011, contando com estrutura e material humano necessários para a realização de um evento deste porte.
A forma como o encontro será realizado contemplará as discussões através dos Mini-cursos, Oficinas, Mesas Redondas, mostra de vídeos, exposições artísticas, evento cultural e Conferências, tendo como eixo principal o tema proposto para o evento: “História e Arte: encontros”.
Este colóquio visa descobrir o potencial artístico enquanto produção acadêmica relativo ao tema, como também as produções práticas envolvidas no evento.
O Colóquio de História & Arte será realizado com participação de estudantes, profissionais e comunidade em geral, buscando uma maior interação e discussões pertinentes entre os alunos da UFRPE/DOIS IRMÃOS, UFRPE/UAG e UFRPE/UAST e os diversos seguimentos históricos e artísticos de outras IES e produções de forma geral.

TEMA: “História e Arte: encontros”
O tema do Colóquio de História & Arte – Edição 2011 vem discutir sobre paradigmas historiográficos existentes e seu viés na vida do estudante e/ou profissional de história e outros seguimentos.
A cidade de Recife lado a lado com a história e a arte desde os tempos do Brasil holandês, campo amplo para as diversas discussões e que ainda não se tem uma reflexão própria sobre a produção cultural, por exemplo, dentro da academia. Dessa forma, o tema proposto assim de maneira aberta propõe conhecer um pouco mais da história por meio do seguimento da arte, fortalecendo dessa maneira a constituição do historiador.



ATENÇÃO AOS PRAZOS:


·                INSCRIÇÃO APRESENTAÇÃO DE TRABALHO SIMPÓSIOS (ORAL): 10 de Janeiro de 2011 a 01 de abril de 2011 (VIA BANCO).
·                RESULTADO DOS TRABALHOS SELECIONADOS PARA SIMPÓSIOS: 10 de abril de 2011
·                DATA LIMITE PARA ENVIO DE TEXTO COMPLETO:  20 de abril de 2011

·                INSCRIÇÃO PARA OUVINTES: 10 de Janeiro de 2011 a 29 de abril de 2011 (VIA BANCO)
·                INSCRIÇÃO PRESENCIAL (CEGOE/UFRPE): De 05 a 09 de maio de 2011
·                INSCRIÇÃO PRESENCIAL (UFPE/UNICAP):   De 02 a 06 maio de 2011

·                INSCRIÇÃO DE VÍDEOS PARA MOSTRA DE CURTA: 10 de Janeiro de 2011 a 01 de abril de 2011
·                RESULTADO DOS SELECIONADOS PARA MOSTRA DE CURTA: 20 de abril de 2011
·                INSCRIÇÃO PARA MOSTRA DE ARTES: 10 de Janeiro de 2011 a 01 de abril de 2011
·                RESULTADO DOS SELECIONADOS PARA MOSTRA DE ARTES: 20 de abril de 2011




Colóquio de História e Arte

Considerações sobre o terceiro ato contra o aumento das passagens (28/01)


O ato de hoje contra o aumento das passagens começou de maneira bem parecida com os anteriores. Seguiu, inicialmente, quase o mesmo percurso: saiu da Rua do Hospício, passou pela Av. Conde da Boa Vista com paradas curtas; chegou a Av. Agamenon Magalhães indo em direção à Secretaria das Cidades, além de mesma estrutura: carro de som para entoar palavras de ordem, e para o rodízio de discursos entre os principais dirigentes estudantis e alguns manifestantes e transeuntes aderentes da causa. Porém, mesmo com tais semelhanças a manifestação se diferenciou de suas antecedentes. Apesar do número significativamente menor de pessoas, em relação ao ato anterior, alguns dos manifestantes, que faziam maioria no protesto, preteriram a reunião na Secretaria das Cidades ao priorizar como rumo para manifestação o fechamento da 
 Av. Agamenon Magalhães em diversos pontos.

Organizado majoritariamente pela UESPE (União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco) em aliança com o Comitê Contra o Aumento das Passagens e dos Salários dos Parlamentares, o protesto teve como foco a reunião naquela entidade governamental, na tentativa de pressionar e possivelmente se reunir com o secretário Danilo Cabral. Mais uma vez considerando o Estado como esfera que pode ter interesses conciliáveis com os da população. A chegada à Agamenon Magalhães foi marcada pelo mesmo fato ocorrido na manifestação anterior (13 de janeiro): manifestantes independentes pretenderam fechar a avenida naquele momento, e outros manifestantes – os que mais se utilizavam do carro de som e desfilavam hasteando bandeiras partidárias -, continuaram em passeata sem mero sinal de hesitação. Resumo da ópera: seguiu-se rumo à Secretaria, e lá se chegou. Felizmente, o fato de Danilo Cabral se negar a fazer uma reunião com os manifestantes fez com que estes retornassem para a Agamenon Magalhães. Lá chegando começou uma outra manifestação mais combativa e que se propunha ao enfrentamento em busca dos seus propósitos. O carro de som foi abandonado, o que colaborou com o aumento da gestão popular do protesto.

Até então a polícia conhecia o itinerário do protesto. A partir deste momento ela teve que agir de acordo com o que os manifestantes decidiam na hora. Ocorreram algumas intervenções de lideranças policiais para tentar manipular o caminho,e o término do protesto. Porém, aquelas não foram bem sucedidas.

Durante o percurso, na Agamenon Magalhães, um dos manifestantes foi atropelado por um carro. Essa atitude gerou um momento de tensão entre os manifestantes e a polícia, que chegou para defender o motorista. Ao chegar no cruzamento do Derby, os manifestantes pararam novamente, após mais de 3 horas de mobilização. Por sua vez, a força policial se mostrou confusa e os mesmos começaram a intimidar os participantes, até a chegada do Choque. Neste momento a ANEL se retirou em bloco e o resto dos manifestantes seguiu em passeata pela Conde da Boa Vista até que o protesto se dispersou no mesmo local de sua saída.

E a luta continua…


O que queremos de fato é que as Ciências Sociais e os encontros estudantis voltem a ser perigosos!


Inscrições Seminário Pré- ERECS 

 

Encontram-se abertas as inscrições para o I Seminário de Formação Metodológica PRÉ- ERECS NORDESTE que acontecerá no período de 10 a 13 de fevereiro de 2010 no campus I (João Pessoa) da UFPB.

As inscrições devem ser efetuadas entre os dias 30/01 e 06/02 e para tal são necessários o preenchimento e o envio para o e-mail cacsufpb2010@yahoo.com.br, sob o título: INSCRIÇÕES SEMINÁRIO, da ficha que encontra-se disponível no link http://migre.me/3M4fo e o pagamento da taxa de R$20. 

O valor deve ser depositado na Conta: 5181-9
Agência:0735
Operação:013 - CAIXA ECONOMICA FEDERAL
Titular: Antônio Marcos L. da Silva 


sábado, 22 de janeiro de 2011

Os seres encantados e a bruxa Capi.


Numa terra mágica, durante o ano, um grupo de seres encantados ocupavam-se o dia todo trabalhando para a bruxa Capi.no solo dessa terra, um castelo esforçava-se para recolher o Máximo de riquezas, em preparação para a expansão da produção.
A bruxa levava toda a riqueza para o castelo, em estradas de concreto ou em canos debaixo da terra. Tudo isso ela fazia através do feitiço da mercadoria. Os seres encantados viam o movimento da rainha e se perguntavam:
-para que tanta riqueza, se a bruxa não tem amigos para compartilhar?
Mas aos pouquinhos a terra mágica ia sendo corroída pela ganância da bruxa. Ocupadas em trabalhar, os seres mágicos nem ligavam. Conseqüentemente, a terra mágica não servia mais para os seres encantados viverem, devido à grande seca que se entendeu, devastando tudo.
E era difícil trabalhar, sentindo calor e fome. Mas eles trabalharão até o ultimo instante. Enquanto a seca castigava, a bruxa transferia toda riqueza para o seu novo castelo em terras distantes.
Como num mágico milagre num dia de verão. Os seres encantados viram a bruxa Capi e imediatamente aproximar-se. A bruxa estava muito rica, mas sem nenhuma amizade. Os seres mágicos vendo-a daquele jeito, perguntarão:
-Dona bruxa, que surpresa!Faz tanto tempo que não a vejo por essas bandas. O que aconteceu?
A rainha orgulhosa, não queria demonstrar a sua tristeza.
-É que eu peguei uma doença muito forte, por isso não saio mas do castelo.os seres mágicos ficaram tristes.
-que pena!Espero que recupere a saúde logo.
E a bruxa vendo que os seres encantados eram legais disse:
-com essa solidão vai ser difícil. Mas se vocês permitirem eu serei uma boa amiga e tentarei devolver a riqueza da nossa terra. Os seres mágicos logo concordarão. Em pouco tempo, a bruxa se recupero a terra também. E todos viverão felizes para sempre.

Luis Soares.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

[Recife]Proteste! sexta(21) as 16h na Praça do Diário E grande ato dia 28!

Como ser roubado aos poucos:

2008 - R$1,60
2009 - R$1,70
2010 - R$1,85
...2011 - R$2,00
2012 - ??????

Nós: R$545,00(+8%) Eles: R$26mil (+62%)

Proteste! sexta(21) as 16h na Praça do Diário
E grande ato dia 28!
 
Data: 21/01 (sexta-feira)
Horário: 16hrs
Concentração: Praça do Diário

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

NOVO PROTESTO CONTRA AUMENTO DAS PASSAGENS



Data: 21/01 (sexta-feira)
Horário: 16hrs
Concentração: Praça do Diário

Resumo sobre o Transporte "Público" no Brasil; aumentos e resistência.




Fonte:

Centro de Mídia Independente
Não é de hoje que os responsáveis pelo transporte público nas cidades brasileiras têm deixado de lado a principal razão da existência de tal serviço: a população. Os aumentos praticados ano a ano em todo o país são um grande problema para nós trabalhadores, que vemos o salário diminuir frente aos aumentos de tudo que nos é essencial: transporte, alimentação e cultura.

Nessa virada de década, novamente mais de 10 cidades aumentaram o preço das passagens de ônibus em até 19%, como aconteceu em São Caetano (SP). A passagem mais cara do país fica a cargo da capital paulista que, depois do aumento de 11,11% passou para R$ 3,00.
Essa política de mercantilização dos direitos básicos dos cidadãos já se tornou prática comum entre prefeitos no Brasil e é realizada cada vez mais às escondidas, dificultando a mobilização dos setores que se manifestam contra esses abusos. Grande exemplo disso é o fato de que todas as mudanças de tarifas ocorreram entre os dias 29 de dezembro de 2010 e 9 de janeiro de 2011, período em que as linhas de ônibus funcionam com menos veículos nas ruas e em horário reduzido.

Porém, mesmo com a estratégia do aumento de férias repentino, protestos e movimentações acontecem na em muitas das cidades. Acompanhe:


Curitiba:
O MPL Curitiba iniciou o ano sendo vítima de um ataque brutal aos seus militantes, resultado do acúmulo de luta e reivindicação incessante durante 2010.
O aumento em Curitiba ainda não se concretizou, mas várias fontes do governo já reafirmaram que haverá, porém nenhuma data fixada até o momento. Isso dará ainda mais amplitude da campanha à luta na cidade.

Recife:

Esta semana aconteceram alguns protestos contra o aumento das passagens. Eles foram marcados pela presença simultânea de manifestantes do Comitê Contra o Aumento dos Parlamentares e as entidades estudantis tradicionais.
Na terça-feira, houve protesto puxado pela UESPE, atualmente ligada ao Partido Comunista Revolucionário. Durante a maior parte do tempo houve caminhada. Mas, apesar de alguma resistência, os participantes do Comitê levaram ao fechamento do trecho que dá acesso à sede da Grande Recife (consórcio das empresas de ônibus que controlam nosso transporte "público"). Conseguiram causar um engarrafamento em parte da zona sul da cidade.
Na quinta-feira, o citado Comitê Contra o Aumento dos Parlamentares organizou um protesto juntando a pauta dos parlamentares de das passagens. Lá também estavam pessoas de partidos (PSTU, PCB). A passeata foi pacífica (caminhada e carro de som) e houve resistência à radicalização. No final do percurso, quando sinalizou-se fechar uma das avenidas principais da Cidade, houve um racha entre quem queria fechar e quem não. Por causa disso, o protesto dispersou em frente à Secretaria das Cidades, depois da queima de um boneco com o rosto do secretário, Danilo Cabral.
As passagens continuam caras. E muita gente ainda vai ter que pagar no mínimo R$4 por dia para poder ir e voltar para casa.
Há planejamento de outros atos para os próximos dias.



São Paulo:

Em São Paulo o MPL ( Movimento Passe Livre ) já chamou 3 atos contras o aumento da tarifa de R$ 2,70 para R$ 3,00 que passou a vigorar no dia 05/01. Sendo o ultimo realizado no dia 13/01 com mais de mil pessoas nas ruas.
No geral os atos em sua maioria são realizados por estudantes e sempre em clima de festa. Neles se substitui os carros de som, por uma bateria, as falas cansativas por marchinhas bem humoradas e as caminhada típica de protesto por uma mais divertida com palhaços e jogral "Quem não pula quer tarifa".
Porém mesmo demonstrado que os atos são pacíficos, a policia por vezes atua de maneira truculenta e forte repressão contra os manifestantes.


Marcado para o dia 20/01 o MPL chama mais um ato contra o aumento da tarifa tendo dessa vez como ponto de saída a praça do ciclista (cruzamento da Av. Paulista com a Av. Consolação).
Para intensifica ainda mais a luta o movimento conta com a volta as aulas no mês de fevereiro e o reajuste da tarifa do tem e do metro previsto também para o mês, porem ainda sem data oficial.

Veja os preços das passagens em cada cidade:
Cidade:AntesDepois
Recife (PE) 9/1/11R$1,85 a R$2,80R$2 a R$3,10
Belo Horizonte (MG) 29/12/10R$1,65 a R$2,30R$1,75 a R$2,45
Joinville (SC) 5/1/11R$2,30 a R$2,70R$2,55 a R$2,90
São Paulo (SP) 5/1/11R$2,70R$3,00
Salvador (BA) 2/1/11R$2,30R$2,50
Rio de Janeiro (RJ) 2/1/11R$2,35R$2,50
Santo André (SP) 3/1/11R$2,65R$2,90
São Bernardo (SP) 3/1/11R$2,50R$2,90
Guarulhos (SP) 5/1/11:R$2,65R$2,90
São Caetano (SP) 1/1/11R$2,30R$2,75
Diadema (SP) 1/1/11R$2,50R$2,80
João Pessoa (PB) 3/1/11R$1,90R$2,10
Porto Velho (RO)R$2,30R$2,60
Vitória (ES)R$2,15R$2,30

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Higienização Politica

Está ai mais um projeto da prefeitura para o Recife Antigo
Este video está circulando pela internet como projeto para um "novo" Recife Antigo.

 
Ouvi muitos comentários dizendo que seria uma melhoria para o Recife e acho que realmente será. Mas será que essa obra está restrita ao Marco Zero? Ou é mais uma etapa do que vem acontecendo com o Bairro do Recife?
Será que nesse novo Antigo vai ter espaço para os ensaios do maracatu?
Tomara que eles simplesmente não sejam tachados de "desordem pública".Tem também o Sambão na Confraria do Samba.
Bom, tinha, já fecharam.
Assim como na subsequência poderá ocorrer o mesmo com o bar do Reggae e outros similares.
Sem contar todos os vendedores ambulantes que provavelmente não poderão comercializar por lá.
Espero que não transforme o Antigo num lugar muito Novo, para a classe burguesa beber whisky importado.
Por que se isso acontecer acho que aqueles 4 reais que os habitantes desse espaço levavam para ingerir aquele vinho, tão estimado, ou mesmo os grandes recipientes de cerveja vulgarmente conhecidos como "latão", no cara do isopor, mal vai dar para pagar o estacionamento em algum edifício garagem que está por vir, até porque eu não vi nesse Novo Antigo os flanelinhas que guardam o carro.
Esta é a copa de 2014 trazendo as melhorias pro estado.

Existem mais verdades por traz das verdades do governo do estado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Carta de repúdio ao aumento das passagens



 A estrutura das cidades brasileiras e, de um modo geral, das do mundo ocidental, no presente momento histórico, informa um modelo de produção do espaço estreitamente ligado aos processos assimétricos de produção de mais-valia. Esses processos têm como mote, como vimos afirmando: a promoção de desigualdades socioespaciais ocasionada pelo regime de propriedade e, sobretudo, a desigual distribuição e acesso aos bens e serviços necessário à vida digna sobre o espaço.

Isso se verifica, por exemplo, na localização dos principais equipamentos públicos e privados que asseguram melhores condições de vida (hospitais, escolas, espaços públicos, local de trabalho etc.) que, por sua vez, estão sempre alocados próximos às residências das classes sociais mais abastardas e parte dos setores médios. Neste sentido, apenas esses indivíduos tendem a gozar com maior plenitude das benesses do viver urbano. Os demais indivíduos, que não habitam nesses locais mais privilegiados, tendem, na maioria das vezes, a se adequar, de maneira muito mais custosa, aos mecanismos de acesso aos equipamentos provedores do bem estar, pois, por conta do próprio modelo de construção da cidade, foram condenados a morar distantes dessas amenidades, nas bordas periféricas e semi-periféricas dos centros urbanos.

A mobilidade é, dessa forma, um fator decisivo na promoção da igualdade de acesso à esses equipamentos. É insano conceber que quem mora nas periferias, distantes, portanto, das principais amenidades urbanas, deva pagar elevada soma pra se deslocar (sobretudo por meio do transporte público). Pois quando isso ocorre, o valor das pessoas e, conseqüentemente, as oportunidades de vida e de bem-estar, estarão de acordo com o lugar onde vive.

Na verdade, é também insano conceber que um cidadão deva se desdobrar para exercer o seu direito de ir e vir! Assegurar as liberdades individuais e coletivas é um ato de cidadania e de garantia dos direitos humanos, e tudo que vai de encontro a isso deve ser combatido! O aumento das passagens do transporte coletivo, de 8,66%, imposto aos cidadãos pernambucanos nesta semana (desde domingo, 09/01/2011) pelo Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), com o aval da Agência Reguladora de Pernambuco (Arpe), é um exemplo de afronta aos direitos e a cidadania, pois repercutirá negativamente na vida de milhares de trabalhadores e estudantes, sobretudo aqueles que necessitam se utilizar do transporte público diariamente.

É por isso que, em respeito ao cumprimento dos direitos dos cidadãos, por uma cidade mais justa, onde a liberdade de ir e vir sejam asseguradas, a Seção Recife da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB/Recife) repudia qualquer aumento na tarifa das passagens. Mais que isso, os Geógrafos da AGB/Recife repudiam a idéia de que um punhado de empresas e instituições, numa postura corporativista, controlem os corpos, decidindo o quanto eles devem se desdobrar para se mover na cidade.

Atenciosamente,
Associação dos Geógrafos Brasileiros / Seção Recife
13 de Janeiro de 2011

Fonte:http://reciferesiste.wordpress.com/

domingo, 16 de janeiro de 2011

Revo CuLtura é Permacultura tambem.



PERMACULTURA

A palavra criada Por Bil Molison anos 70, para descrever sistema integrado de espécies animais e vegetais perenes ou que se perpetuam naturalmente e são úteis aos seres humanos.
A visão da permacultura de uma agricultura permanente ou sustentável evoluiu para uma visão de uma cultura permanente sustentável.De forma mais precisa, a permacultura é o uso do pensamento sistêmico. Para tanto deve-se reunir as diversas idéias, habilidades e modos de vida os quais devem ser reinventados e desenvolvidos com o objetivo de tornar capazes de prover nossas próprias necessidades e aumentar os recursos naturais para as futuras gerações.

Design

A Permacultura não se resume apenas a paisagem, ou mesmo a técnicas de agricultura orgânica, ou as formas de produção sustentáveis, as construções eficientes quanto ao uso da energia, ou ao desenvolvimento das eco-vilas, pode ser usada para projetar, criar, administrar e aprimorar, esforços feitos por famílias e comunidades em busca de um futuro sustentável. Focaliza o manejo da natureza e da terra não apenas como uma fonte mas também como uma aplicação de princípios éticos e de desing.O caminho evolutivo em espiral, iniciando com ética e princípios, sugere o entrelaçamento desses domínios, inicialmente no nível pessoal e local, evoluído posteriormente para o nível coletivo e global.

Rede

A permacultura é também uma rede de pessoas e grupos difundindo as soluções de design propostas em países ricos e pobres de todos os continentes.
 Alguns Impedimentos
Uma cultura reducionista científica predominante que é cuidadosa, se não hostil, a métodos holísticos de pesquisa.- A cultura dominante do consumismo, impulsionada por medidas econômicas equivocadas e de bem-estar e progresso.- Elites políticas, econômicas e sociais (globais e Locais) que correm o risco de perder influencia e poder no caso de adoção de autonomia e autoconfiança locais.- Falha dos mercados globais em transmitir os sinais sobre o esgotamento dos recursos naturais e a degradação ambiental, isolou os consumidores da necessidade de desenvolvimento de estilos de vida mais auto-suficientes
No Contexto de ajudar na transição do consumismo ignorante para a produção responsável, a permacultura se apóia na persistência de uma cultura de autoconfiança e de valores comunitários, e na preservação de uma série de habilidades tanto conceitueis como práticas.
A permacultura tem sido mais efetiva no pioneirismo do que vem sendo chamado de “consumismo sustentável” a produção de alimentos e outros recursos de forma sustentável.
A permacultura é uma estrutura conceitual para o desenvolvimento sustentável que tem suas raízes na ciência ecológica e no pensamento sistêmico.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Relato do segundo protesto contra o aumento das passagens (13/01)

Hoje, quinta-feira, houve o segundo protesto contra o aumento das passagens de ônibus. Mas dessa vez os manifestantes tiveram também como mote o aumento do salário dos parlamentares em mais de 60%. A concentração ocorreu na Praça do Diário e contou com cerca de 300 pessoas, dentre elas estudantes, trabalhadores, e aderentes diversos. A manifestação seguiu pela Av. Conde da Boa Vista, desviando brevemente pela Câmara dos vereadores, e tendo seu fim nas proximidades da Av. Agamenon Magalhães, na frente da Secretaria de Transportes.

O protesto foi organizado pelo Comitê contra o aumento das passagens e do salário dos parlamentares, que é formado por militantes do partidos, anarquistas, e apartidários. No entanto, mesmo com organizadores distintos, a manifestação não destoou da anterior, tendo mais momentos de caminhada do que de insistência em fechar vias e provocar congestionamentos, o que causaria um maior impacto à cidade e daria maior visibilidade à causa.

A caminhada contou com um carro de som cujo microfone estava aberto a qualquer um, participante ou transeunte, que desejasse se manifestar. Houve desde discursos formais por parte de determinadas entidades partidárias até discursos espontâneos de trabalhadores ambulantes que foram expulsos do centro com o início da política de higienização da cidade devido à copa do mundo de 2014.
Durante o trajeto os manifestantes carregavam faixas com mensagens como “redução é pouco, passe livre já”, “aumento de passagem é roubo” e “salário de luxo, parlamentar do lixo”. Quando uma moto ameaçou furar o bloqueio dos manifestantes, houve uma tensão com os policiais, e a palavra de ordem passou a ser “polícia fascista” e “polícia pra ninguém, o povo é refém”.


Em suma, a passeata seguiu num clima ameno, no qual o carro de som chamava mais atenção do que os próprios manifestantes, e o grupo de 300 pessoas caminhava por ruas pouco movimentadas, não interferindo de forma significativa no cotidiano da cidade. O único local em que a manifestação de fato parou foi em frente à Secretaria de Transportes, onde os manifestantes pretendiam fazer pressão no secretário Danilo Cabral para que ele recebesse uma carta de reinvidicações produzida pelo comitê contra o aumento das passagens e do salário dos parlamentares.

Este momento foi marcado por uma cisão entre os participantes da passeata, pois alguns (em sua maioria apartidários, anarquistas ou autônomos) desejavam bloquear o trânsito da Av. Agamenon Magalhães, e outros (em sua maioria militantes de alguns partidos) queriam seguir diretamente para a Secretaria a fim de entregar uma carta de reinvidicações ao secretário Danilo Cabral. Centralizando as decisões a serem tomadas, alguns membros do comitê acabaram por legitimar o poder do Estado ao priorizar a entrega de um mero documento em detrimento do fechamento de uma das principais vias da cidade do Recife. Ironicamente, em nome da unidade tão pregada por algumas entidades e pelo próprio comitê, muitos manifestantes acabaram por não agir conforme eles realmente acreditavam ser o melhor, pois um grupo que se achava dono do ato desrespeitou a decisão espontânea da maioria e insistiu em sua proposta inicial até um ponto em que o ato se encontrava completamente disperso, por que pra eles a unidade só fazia sentido quando seguia suas propostas.

A “vitória” do ato foi queimar um boneco de Danilo Cabral numa rua deserta para a mídia corporativa ter ótimas fotos para publicar no jornal de amanhã. A tentativa de acordo com o Estado foi falida tanto por si só como também pelo fato de não haver ninguém na Secretaria para receber a tal carta. Com a decisão intransigente de permanecer no local, o fim do ato foi decretado por um grupo que, além de legitimar o Estado, freiou uma movimentação espontânea dos manifestantantes em nome de um acordo feito anteriormente numa reunião cujas decisões de ferro pareciam não poder ser questionadas ou modificadas na conjuntura real do protesto.

Assim termina o ato: alguns falando de vitória, e outros sentados no meio fio ou simplesmente dispersos, cercados por policiais que já nem ameaçavam o andamento do ato, pois também estavam dispersos e sem acreditar em qualquer movimentação. No entanto, haviam algumas reações à imposição de rumos feita por alguns membros do comitê, sendo estes acusados de centralizadores e antidemocráticos.

Mas, apesar do protesto ter sido finalizado em um clima de frustração, ele ainda sim foi uma resistência válida em meio à forte opressão que a população está sofrendo com o aumento das passagens, o aumento do salário dos parlamentares e com a expulsão dos ambulantes do centro do Recife. É preciso que continuemos encarando esse tipo de ação como válida e necessária para a construção de uma luta sólida e eficaz contra o sistema opressor que não está aberto para negociações e contra o qual devemos lutar com mais maturidade, no sentido de não acabar por reproduzir a lógica de autoritarismo que rege esse mesmo sistema.
Adiantamos que mais atividades desse caráter estão por acontecer, vamos construí-las juntos. Sua participação é essencial!

Recife Resiste!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

CHAMADO REVOCULTURA!




Convocamos todxs,

Para uma reunião na próxima sexta-feira dia 14/01/2011. Onde poderemos dialogar sobre a abertura do edital de extensão (UFRPE) e  sobre a realização do Revocultura no Sertão e na comunidade do Pilar, discutir sobre a proposta do Ravecultura, expor as idéias e planejar nossas ações.

E sobre tudo, as ações diretas que estão ocorrendo no centro da cidade do Recife e como o REVOCULTURA poderia contribuir.

A reunião será no bosque sagrado às 16:00 horas.


 De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades, seus lindos.

A luta continua...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Relato do protesto contra o aumento das passagens (11/01)


Hoje, 11 de janeiro de 2011, algumas agremiações estudantis puxaram um ato contra o aumento das passagens de ônibus. Não se sabe exatamente com quantas pessoas o ato contou em seu auge: alguns estimam 500, outros 200, mas na maioria dos casos esses números representam muito mais um posicionamento ideológico da mídia corporativa do que um rigor matemático.


A passeata ficou dividida em dois blocos: o primeiro era formado por organizadores ligados a partidos políticos (Partido Comunista “Revolucionário”) e a determinadas agremiações estudantis (UESPE, UBES, UJR e seus falsos DCE’s universitários, conquistados à base de golpe e mantidos por imposição e acordos politiqueiros com a reitoria da UFPE); e o segundo bloco se constituía de outros grupos e indivíduos autônomos. O último, em sua maior parte, formava o comitê contra o aumento das passagens e dos parlamentares, e havia filiados ao PSTU ou PCB, anarquistas, dentre outros. Tal grupo garantiu um mínimo de luta e coerência dentro de um ato puxado e formado por entidades burocratizadas que estavam mais preocupadas em hastear bandeiras e fazer propaganda do que garantir um mínimo de luta efetiva.

O itinerário planejado pelas agremiações estudantis e partidárias, acertado provavelmente em acordo com a polícia e divulgado previamente na mídia, não causou grandes transtornos, tendo por objetivo apenas transitar no centro da cidade a caminho de uma reunião para uma possível negociação com o governo. Tal reunião ocorreu na sede da empresa Grande Recife Consórcio de Transportes entre os representantes dos empresários e uma comissão organizada pela diretoria das entidades interessadas na disputa de poder pelo governo do Estado . Um verdadeiro teatro da política, com peça já montada e ensaiada pelas duas partes, a fim de mostrar pra o público o teatro da democracia: os empresários aumentam as tarifas e os estudantes protestam. Assim, é aberta uma negociação, mas tudo fica como está, proporcionando lucros aos empresários e prestígio político às entidades burocratizadas, que posam de combativas.

Felizmente o outro grupo ( indivíduos autônomos, anarquistas e militantes do PSTU e PCB) não pretendia ser mais um espectador desse teatro da política, e por iniciativa própria desviou o roteiro final, fechando a via que, da Avenida Sul, dá acesso ao centro da cidade. A via ficou interditada por cerca de duas horas, e, segundo rumores, o trânsito ficou parado até o bairro de Piedade. Nesse momento a Empresa de transporte exigiu que a via fosse desobstruída para que houvesse alguma negociação com a comissão pré-definida. Os burocratas estudantis desceram dos carros de som para convencer os demais a se retirar da pista, inclusive foi oferecida uma vaga na comissão para o grupo que insistia em fechar a via – grupo este xingado de “radical” pelo líder estudantil do PCR. Duas pessoas do “grupo dos radicais” foram designadas para acompanhar uma reunião entre os representantes dos empresários e os que se dizem representantes dos estudantes, no intuito de observar o caráter da negociação de perto.

O grupo que questionou e desviou os rumos do protesto provou que não há necessidade de buscar negociação com o Estado. Esta não deve ser a atitude primeira. É o Estado que deve sentir a necessidade de negociar com o povo, pois as grandes conquistas partem da pressão que se faz nas ruas. Direitos não se pedem, se conquistam. A reunião encenada não é nenhuma vitória. A única vitória que o Recife viu hoje partiu da pressão feita nas ruas.

Fortaleça essa luta. Quinta-feira, 13 de janeiro, compareça ao ato contra o aumento das passagens e do salário dos parlamentares, e contra a expulsão dos ambulantes das ruas do centro do Recife. A concentração será na Praça do Diário às 14h. Participe, as ruas precisam de você!

fonte:Recife Resiste!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Relembrando 2005


Não deixando que aquilo vivido em 2005, e nesse mês de novembro de 2010 completando 5 anos, fosse esquecido, foi feito um breve resumo de tudo  aquilo…
Ao voltar do feriado nos deparamos com um aumento de 9,55% no preço das passagens (a tarifa A passou de R$1,50 para R$1,65 e a B de R$2,30 para R$2,50). A partir de então as ruas de Recife passam a ser palco de grandes protestos que há anos não se viam na cidade.
 
17 de novembro de 2005 (quinta-feira)

Voltando à rotina massacrante casa/trabalho/casa após o feriado, a população não ficou nada satisfeita com mais um aumento arbitrário. Para o fim da tarde algumas organizações estudantis chamaram um ato contra o aumento das passagens, no entanto quem engrossou esse primeiro protesto foram indivíduos que passavam pela avenida Conde da Boa Vista e espontaneamente aderiram à manifestação.
Desde as 15 horas bloqueios foram feitos na Conde da Boa vista, algumas vezes sendo dispersado pela polícia mas voltava a acontecer em outros locais. Avenida Guararapes, rua da Aurora, avenida Cruz Cabugá também foram pontos de bloqueio, o que fez Recife parar. Afinal “se a passagem não baixar, Recife vai parar!”.
O protesto durou até cerca das 23 horas, durante o período da noite vários confrontos com a polícia ocorreram, algumas pequenas barricadas com entulhos tentaram ser erguidas e alguns lixos foram queimados.
Segundo as fontes oficiais o saldo do dia foi:
-        17 detidos;
-        1 ferido;
-        mais de 50 ônibus marcados pela raiva popular (pixados, quebrados…)
18 de novembro de 2005 (sexta-feira)

No segundo dia de manifestações a mídia corporativa disse que havia cerca de 100 pessoas, enquanto o relato de uma manifestante dizia ter cerca de 300 depois de um certo esvaziamento. A repressão policial foi enorme, a marcha passou pelos principais pontos da centro da cidade. Ao chegar em frente ao Palácio do Governo uma assembléia aberta ocorreu decidindo continuar o protesto e qual percurso tomar.
Alguns confrontos com a polícia ocorreram, mais prisões e mais ônibus atacados. Na avenida Visconde Suassuna a tropa de choque atacou a manifestação pelas costas, lançando bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e muitas cacetadas. Alguns sindicatos da redondeza serviram de abrigo para os manifestantes, mas muitos foram presos por estarem encurralados.
Primeiros relatos de prisões ilegais em quartéis começaram nesse dia. Também a partir de então a inteligência da polícia começou a atuar efetivamente tirando fotos e filmando incessantemente.
Segundo as fontes oficiais o saldo do dia foi:
-        30 detidos;
-        mais de 20 ônibus atacados
21 de novembro de 2005 (segunda-feira)

O ponto de concentração do terceiro dia de protesto era na rua do Hospício em frente ao Ginásio Pernambucano. Agrupadas as primeiras pessoas a polícia cercou a concentração, “ninguém entra, ninguém sai!”. O cerco durou durante toda a tarde, em alguns momentos os manifestantes conseguiram driblar a polícia e chegaram a alguns pontos da cidade e resultando em confrontos com a polícia.
A cidade estava em estado de sítio, polícias das mais diversas companhias circulavam pelo centro com armas em punho. A tropa de choque já não mais andava pela parte central da avenida Conde da Boa Vista e preferia a marquise dos prédios para se esconder dos objetos que eram lançados pelos moradores em solidariedade às manifestações.
Houve também protestos na periferia, em Dois Unidos e Beberibe. Lá também foi tenso resultando em alguns ônibus e carros avariados por conta de uma barricada de pneus em chamas.
O saldo oficial do dia:
-        18 detidos;
-        1 ferido;
-        alguns ônibus quebrados
22 de novembro de 2005 (terça-feira)

O dia em que a repressão foi das maiores, quarto dia de protestos. Vários atos descentralizados ocorreram na avenida Caxangá, no Encruzilhada, no centro, entre outros pontos.
Nesse dia o coronel Meira liderando a tropa de choque invadiu a escola ETEPAM agredindo e prendendo professores e alunos que assistiam às manifestações. Alguns alunos ao serem colocados no camburão relataram que policiais abriam uma janela e atiravam spray de pimenta no interior do veículo. Um aluno teve de ser socorrido após tal atrocidade.
No centro da cidade duas meninas foram esfaqueadas por um policial durante um tensão entre polícia e manifestantes. Uma levou 10 pontos e a outra 15.
Um militar reformado teve um cassetete quebrado em sua cabeça por questionar um PM que espancava um manifestante. Ele teve de ser encaminhado ao Hospital do Exército e quase sofreu um traumatismo craniano.
O saldo oficial do dia:
-        mais de 60 prisões;
-        vários feridos
23 de novembro de 2005 (quarta-feira)

A quarta-feira foi o dia da grande manifestação, segundo os organizadores cerca de 10.000 pessoas, enquanto segundo as fontes oficiais não mais de 3.000.
O dia começou tenso com um carro de som apreendido pela polícia na praça do Diário. Em seguida a concentração foi em frente à OAB, com a intervenção da ordem o carro foi liberado pela polícia e a marcha pôde começar.
Passou-se pelos principais pontos da cidade com música, panfletos, faixas e palavras de ordem. A polícia acompanhou tudo de perto, a secretaria de defesa social anunciou no dia anterior que colocaria um efetivo de 1.000 policiais na rua para essa manifestação.
Nenhum ônibus foi quebrado e não houveram nem feridos e nem prisões.
17 de fevereiro de 2006 (sexta-feira)

Passados Natal, Ano Novo, vestibular e férias o movimento enfraqueceu. As reuniões do Comitê contra o Aumento de Passagem e pelo Passe Livre continuaram acontecendo aos sábados e marcou-se uma manifestação para 17 de fevereiro a fim de retomar a mobilização.
O protesto começou em frente ao ponto de recarga do antigo “passe-fácil”, após uma concentração com distribuição de panfletos e um PASSE LIVRE pixado na frente da instituição, o protesto seguiu rumo a avenida Conde da Boa Vista. Lá o tráfego foi parado e na altura da FAFIRE alguns ônibus foram atacados e a polícia acionada.
O saldo foi:
-        8 ônibus avariados;
-        3 detidos
 
Fonte: Estilhaço nº1

"AMANHÃ,(10/01) REUNIÃO DO COMITÊ CONTRA O AUMENTO! 13 DE MAIO, ÀS 18H. MOVA-SE, PRA VER SE A COISA MUDA!"

Ato contra o aumento da passagem: Na frente do gina´sio pernambucano, que fica na rua do hospi´cio. Terça-feira,11 de janeiro, 13 h.



62%: Aumento de deputados e senadores;
133,9%: Aumento do Presidente;
6,41 %: Aumento dos aposentados e pensionistas
8,66%: Aumento das passagens.

Feliz Ano Novo!


Sem Terrinha em Movimento



http://blip.tv/file/2290976?utm_source=player_embedded

Documentário produzido pela Brigada de Audiovisual do MST apresenta de forma lúdica através de depoimentos e dos desenhos dos sem terrinhas a discussão da luta pela terra e os direitos das crianças e a participação delas no movimento. 16'58".

OPERACION PANDEMIA (2009)



Este documental anda dando vuelta hace un tiempo, vale la pena verlo y seguir con la cadena de la difusión....

¿Qué se esconde detrás de la gripe porcina?
¿Por qué la insistencia?
Los medios de comunicación masivos (mass media) intentan enajenar nuestras mentes para servir a los planes de manipulación de gobiernos y empresas transnacionales -que mueven anualmente cifras multimillonarias en dólares. El siguiente video, pretende despertar consciencias y que apliquemos el sentido común (“el menos común de los sentidos”).

Género: Documental
Duración: 10 minutos aprox.
Año: 2009 (julio)
País: Argentina
Autor: Julian Alterini (¿Quién es Julian Alterini?)

Formato: .mp4
Tamaño: 149.65mb

mas info en:
operacionpandemia@gmail.com

Info agregada por el autor:
"ATENCION: La referencia a la "Campaña de vacunación masiva contra la gripe porcina del año 2009" es un error. En realidad se hace referencia a la campaña de vacunación masiva contra la gripe porcina del año 1976 que tuvo como resultado múltiples muertes y parálisis, siendo, una vez más, Donald Rumsfeld el secretario de defensa del por entonces presidente de EEUU: Gerald Ford. DISCULPEN LAS MOLESTIAS


http://www.youtube.com/watch?v=gKwk8Kq8QXA&feature=player_embedded

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sentir o vermelho - o calendário e a geografia da guerra


Participação na conferência do dia 16 de dezembro pela tarde.


A diferença entre o irremediável e o necessário é que para o primeiro
não é preciso se preparar. E só a preparação torna possível o segundo”.
Don Durito da Lacandona

Antes, não só neste colóquio, mas também nele, temos assinalado o caráter belicista do capitalismo.

Agora queremos acrescentar que a guerra não é só uma forma, é certamente a essência pela qual o Capitalismo se impõe e implanta na periferia.

É também um negócio em si mesmo. Uma forma de obter lucros.

Paradoxalmente, é na paz onde é mais difícil fazer negócios. E digo “paradoxalmente” porque se supõe que o capital necessita de paz e tranqüilidade para desenvolver-se. Talvez isso tenha sido antes, não sei, o que vemos é que agora ele necessita da guerra.

Por isto a paz é anticapitalista.

Se fala pouco dele, ainda menos no México, mas o peso econômico da industria militar e seus gigantescos lucros (que obtêm cada vez que o supostamente agonizante poder norte-americano decide “salvar” o mundo democrático de uma ameaça fundamentalista... que não seja a sua, é claro), não são nada desprezíveis.

Nos aspectos teóricos, tal como, conforme nosso entender, assinalou faz umas horas Jean Robert, é necessário estar questionando “os solos” sobre os quais se põem em pé na terra um planejamento científico. Pensamos que o conceito de “guerra” dos analistas teóricos anti-sistêmicos pode ajudar a solidificar solos ainda pantanosos.

Contudo não se trata apenas de uma questão teórica. Robert Fisk, por um lado, e Naomí Klein, por outro, contribuem enormemente para tirar o véu que ocultava a encenação da guerra no Iraque. Não de um escritório ou afrente de um monitor que administra a informação dos grandes monopólios midiáticos, e sim se dirigindo pessoalmente ao lugar dos fatos, ambos chegam às mesmas conclusões.
Mais ou menos nos dizem: “Vá! Acontece que não se está libertando o Iraque da tirania de Hussein, e sim, simples e sensivelmente, está se fazendo negócios. E, inclusive, o aparente fracasso da invasão é também um negócio”.
Vou lhes recomendar um livro: É este. “A doutrina do choque. O auge do capitalismo do desastre”, de Naomi Klein. É um desses livros que vale apena ter em mãos. É ainda um livro muito perigoso. Seu perigo reside em entender o que se diz.
Quando escrevo isto suponho que Naomi Klein tenha enfocado os eixos centrai do exposto no seu pensamento, assim que não repetirei. Só assinalo que trata de aspectos do funcionamento capitalista que são passados por alto ou ignorados por não poucos teóricos e analistas de esquerda no mundo.

Don Pablo Gonzáles Casanova é outro dos que avança no desmonte das velhas e novas realidades do capitalismo no México e no mundo, e um olhar generoso no tempo, e respeitoso na análise de nosso e e vir como zapatistas.

Temos aqui dois dos representantes de duas gerações de analistas do sistema capitalista, sérios, sérias, brilhantes, e além disso com algo que se esquece no meio teórico e intelectual: são pedagógicos, ou seja, se fazem entender.

Don Pablo Congález Casanova é um homem sábio. É o único intelectual em que os companheiros e companheiras falam com confiança. Eu, que tenho mais de vinte e tantos anos vivendo com nossos povos, sei o quanto é difícil ter sua confiança.

Presenteamos Naomi Klein, junto com Don Pablo, com esta muñequita com um caracol. O caracol em nossos povos é como se convoca as pessoas para o coletivo. Quando os homens estão nos milharais e as mulheres nos trabalhos, o caracol convoca para se reunirem em assembléia e é daí acontece o coletivo. Por isso dizemos que ele é o “chamador dos nossos”.

Nossa admiração e respeito coletivo para Don Pablo, também são pessoais. Eu só posso dizer que, quando eu crescer, quero ser omo Don Pablo Gonzáles Casanova. Devo acrescentar ainda que ele é um desses que nos provoca recaídas chovinistas e nos faz dizer que é uma honra ser mexicano.

Don Pablo, lhe presenteio com este livro de Naomi Klein. Contem novos elementos para entender novos caminhos que o capitalismo está seguindo. Se eu o presenteio é porque já tenho outro.








Quero aproveitar a ocasião para comunicar-lhes algo.

Esta é a última vez, ao menos em um bom tempo, que saímos para atividades deste tipo, me refiro ao colóquio, encontros, mesas redondas, conferências, além de, obviamente, entrevistas.

Algumas pessoas que têm moderado estas conferências coletivas têm me apresentado como o porta-voz do EZLN, e hoje de manhã li que alguém se refere a mim, além de porta-voz, como “ideólogo” do zapatismo. Óra! “Ideólogo”, e isso dói muito?

Observem, o EZLN é um exército. Bem diferente, é verdade, mas é um exército.
E, além da parte que vocês querem ver do Sup (quero dizer, além de suas belas pernas), como porta-voz, “ideólogo” ou o que seja, creio que já têm idade para saber que o Sup é, alem disso, o chefe militar do EZLN.

Como há tempo não ocorria, nossas comunidades, nossas companheiras e companheiros, estão sendo agredidas.

Já havia ocorrido antes, é verdade.

Mas é a primeira vez desde aquela madrugada de janeiro de 1994 que a resposta social, nacional e internacional, tem sido insignificante ou nula.

É a primeira vez que estas agressões provém descaradamente de governos de suposta esquerda, ou que se perfazem com o apoio sem dissimulação da esquerda institucional.

No jornal de hoje se pode ler que o personagem representativos dos fazendeiros chiapanecos que lhes falei ontem, o senhor Constantino Kanter, acaba de ser nomeado funcionário no governo perredeista de Juan Sabines , em uma posição onde os recursos financeiros poderão ser destinados sem problemas para os grupos paramilitares.

Esta é também a primeira vez que encontramos fechados, à Flor e Canto, os espaços onde as pessoas comuns se inteiravam do que se passava com nosso movimento, com nossas reflexões e nossos chamados.

E não é só.

Faz uns meses, em ocasião de uma das mesas redondas que participamos na Cidade do México, uma pessoa dessas que formam filas nas modernas “camisas pardas” do lopezobradorismo (e que têm como comando pessoas metidas a cretinas e a cagatintas da estirpe de Jaimes Avillés, do periódico La Jornada), interpelou os zapatistas (estávamos a Comandanta Miriam, o Comandante Zebedeo e eu) perguntando, com tom petulante e inquisidor, mais ou menos, por que não deixávamos que a “gente progressista deste país avançasse na democracia do México”. Assim disse. Nós acabávamos de detalhar uma série de fatos que fundamentavam nossa distancia do PRD e do lopezobradorismo que, certamente, a bem vestida senhora não escutou.

Aos argumentos que expomos, os cinco ou seis personagens enviados responderam primeiro com mentira (que AMLO havia se afastado do governador Sabines e demais personagens que haviam se alinhado com Felipe Calderón, que a CND era anticapitalista, e coisas do gênero) e logo com suas palavras de ordem, “é um horror, estar com obrador”. O Comandante Zebedeo me perguntou depois o que estávamos fazendo ali e quem era essa gente que nem sequer escutava o que dizíamos.

Uns dias depois, o bichano (com perdão dos gatos) que preside o Partido da Revolução Democrática, Leonel Cota Montaño, nos acusou de ter provocado, com nossas críticas, a derrota eleitoral (assim disse) de López Obrador nas eleições presidenciais de 2006.

Antes, praticamente desde o arranque da Sexta Declaração da Selva Lacandona, o lopezobradorismo ilustrado encontrou aberto os espaços para atacarmos, ao mesmo tempo nos fechavamos em nós mesmos.

Foi nos dito de tudo ao longo deste calendário. Parafraseando Edmundo Valadez, “a merda teve permissão” e na chamada intelectualidade progressista e de esquerda se disseram, desenharam e escreveram coisas que envergonharam a mais reacionária imprensa de nosso país, mas que na esquerda institucional e em seus satélites foram festejadas.

Nas palavras de um intelectual de “esquerda”, depois da fraude eleitoral de 2006: “por essa não vamos perdoar Marcos”.

Estou assinalando um fato simples e contatável. Um fato que previmos inclusive desde antes de 19 de junho de 2005, momento em que tornamos pública nossa Sexta Declaração da Selva Lacandona, e para o qual nos preparamos.

Ocorrem também incidentes, sobretudo no último percurso que fizemos para o Encontro de Povos Indígenas da América, realizado em Vican, Sonora, que nos advertem e nos previnem.

Sabemos e entendemos que pensem que só ocorram coisas se os meios ou um meio de comunicação específico a informa. Lhes digo que não é assim, já faz tempo que ocorrem muitas coisas que são caladas ou ignoradas.

Entendemos que nossas posições sejam recebidas com a mesma abertura e tolerância de anos.

Entendemos que se apóie e publicite uma visão e uma posição política e que se faça “casamentos” para deixar de fora qualquer questionamento ou posição dissidente.

Entendemos também que para alguns meios de comunicação só sejamos notícias quando estamos matando ou morrendo, mas, pelo menos por hora, preferimos que se cessem suas notícias, e nós trataremos de seguir adiante em consolidar o esforço civil e pacífico que se chama A Outra Campanha, e, ao mesmo tempo, estaremos preparados para resistir somente com reações às agressões sofridas por nós, sejam feitas por exército, polícias ou paramilitares.

Para nós que temos estado em guerra, aprendemos a reconhecer os caminhos pelos quais ela se prepara e se aproxima.

Os sinais de guerra no horizonte são claros.

A guerra, como o medo, também tem odor.

E agora já se começa a respirar seu fétido odor em nossas terras.

Nas palavras de Naomi Klein, devemos nos preparar para o choque.

Ademais, nestes dois anos que temos estado fora, nossa produção teórica, reflexiva e analítica tem sido mais abundante que nos 12 anos anteriores. O fato de que não apareça nos meios públicos habituais não significa que não exista. Aí estão nossas concepções, caso alguém se interesse em discutí-las, questioná-las ou confrontá-las com o que agora ocorre no mundo e em nosso país. Talvez se isto somar um pouco, então verão como advertência o que hoje é realidade.

Em fim, assim está. Talvez agora se entenda o tom como de “aí vos encarrego” que nossas participações tem tido.








Quando as zapatistas, quando nós zapatistas falamos, pomos adiante o vermelho coração que bate em coletivo.

Entender o que dizemos, fazemos e fazeremos, é impossível se não consegue sentir nossa palavra.

Eu sei que os sentimento não têm cabido na teoria, quanto menos na que agora anda ao tropeços.

Que é muito difícil sentir com a cabeça e pensar com o coração.

Que não são menores as masturbações teóricas que o plantar desta possibilidade criou, e que as estantes de livrarias e bibliotecas então cheias de tentativas falidas ou ridículas disto que vos digo.

O sabemos e entendemos.

Mas insistimos que esta concepção é correta, o incorreto é o lugar em que se está querendo a implantar.

Porque para nós zapatistas, o problema teórico é um problema prático.

Não se trata de promover o pragmatismo ou de voltar às origens do empirismo, e sim de assinalar claramente que a teorias não só não devem isolar-se da realidade, e sim devem buscar nela os maços que as vezes são necessários quando se encontra um beco sem saíta conceitual.

As teorias redondas, completas, acabadas, coerentes, são boas para apresentar exame profissional ou para ganhar prêmios, mas costumam virar cacos com o primeiro vendaval de realidade.

Temos escutado nesta mesa luzes e lampejos que, a nós zapatistas, nos dão fôlego e folga.

Essa mescla explosiva de conhecimento feito de sentimento com o que nos deslumbrou e comoveu John Berger;

o questionamento lúcido e sem concessões de Jean Robert;

a análise concreta e implacável de Sergio Rodríguez;

a serena clareza das reflexões de Francois Houtart;

a honesta história do que se passou e passará com um movimento que nós não só respeitamos, mas também admiramos, o do MST, contato pelo companheiro Ricardo Gebrim;

o pensamento rico e abarcadora de Jorge Alonso;

a entusiasta descrição de Peter Roset;

a brilhante referência que Gilberto Valdez fez das discussões teóricas que se processam agora na Cuba revolucionária;

as proveitosas provocações teóricas de Gustavo Esteva;

a nobre lucidez de Sylvia Marcos;

os avanços teórico-analíticos de Carlos Aguirre Rojas;

a luz de grande entusiasmo de Immanuel Wallerstein;

e faz uns anos, a sapiência irmã e companheira de Don Pablo, e a inquieta iluminação sobre o cinismo capitalista de Nami Klein.

Saudamos também as companheiras e companheiros que moderaram as sessões deste colóquio.

Meu respeito àqueles que trabalharam na tradução das apresentações, e minhas desculpas sinceras pelos problemas que devem ter provocado os “modos” de falar zapatista do senhor Coruja, Dezembro, Magdalena e Elías Contreras.

Há, contudo, algo maior que não está no que se vê, porque se vê como se faz.

Me refiro às companheiras e aos companheiros que dizemos vibrantes e luminosos, e, sobretudo, a todas as jovens e todos os jovens indígenas que estudam e trabalham aqui no CIDECI com o Doutor Raymundo Sánchez Barraza.

Já que falamos em olhares, creio que o mínimo que podemos fazer é não só ver seu trabalho (fundamentalmente foram quem tornou possível este colóquio), mas também vê-los, a eles e a elas.

Agradeço também, e muito especial e carinhosamente a equipe de apoio da Comissão Sexta do EZLN. Agradeço Julio. Agradeço Roger.

Eu sei que estão estranhando o fato de estar dizendo sito, sendo que ainda falta a homenagem a Andrés Aubry que será amanhã e a declaração-advinha de seu doutorado.

Para isto, prevendo o dia de amanhã, chegarão minhas chefas e meus chefes do Comitê Clandestino Revolucionário Indígena da zona Altos, junto com autoridades autônomas e comissões de trabalha da Junta de Bom Governo de Oventik.

Elas e eles terão então nossa palavra e, como agora pela minha, por sua voz falaremos o todo que somos.











Como última parte de nossa estendida intervenção neste colóquio, quero explicar o que queremos assinalar com o título geral, esse “Nem o centro, nem a periferia”.

Nós pensamos que não se trata só de evitar as armadilhas e concepções, teóricas e analíticas neste caso, que o centro põe e impõe à periferia.

Tampouco se trata de intervir e agora mudar o centro gravitacional para a periferia, para daí “irradiar” ao centro.

Acreditamos, ao contrário, que essa outra teoria, algumas das quais os traços gerais foi apresentado aqui, deve romper também com essa lógica de centros e periferia, deve então ancorar-se em realidades que irrompem, que amergem, e, assim, abrir novos caminhos.

Se é que este tipo de encontro se repete, creio que estarão de acordo comigo que a presença de movimentos anti-sistêmicos, como agora o do Movimento dos Sem Terra do Brasil, são particularmente enriquecedores.

Bem, creio que é tudo.

Ah, antes que me esqueça: ai vos engarrego.

Muchas gracias a todas, a todos.
Subcomandante Insurgente Marcos.
San Critóbal de Las Casas, Chiapas, México.
Dezembro de 2007.
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