segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

[São Paulo] 26/fev - Ataque de skinheads na Jornada Anti-Fascista

O último dia de atividades da Jornada Anti-Fascista 2011, organizada pelo Movimento Anarcopunk de São Paulo, foi marcado pelo ataque de um grupo de cerca de 10 skinheads nas imediações da Praça da Sé.
dsc02420Pela manhã foi organizado um ato público contra o fascismo na Praça da República, e um dos skinheads agressores (foto ao lado - clique para ampliar) já havia feito uma saudação nazista para os manifestantes quando por ali passava.
Durante a tarde, no Espaço Ay Carmela, acontecia uma atividade com bandas e denúncias contra o fascismo e a intolerância quando nas proximidades ocorreu a agressão. 4 companheiros foram feridos com facadas no braço, barriga e cabeça; um deles sofreu perfuração no crânio e foi submetido a cirurgia. Cabe ressaltar também que um dos agredidos é deficiente físico.
28_mhg_sp_skinForam detidos pela polícia 5 skinheads com punhais, soco inglês, machadinha, espingarda de chumbinho, e facas - uma delas com inscrições nazistas. Os 5 skinheads foram levados para o 1 DP, na Liberdade, e segundo a polícia dois deles já possuem antecedentes criminais.
pilantra1Os skinheads Jorge Gabriel Gonzales, Milton Gonçalves do Nascimento Júnior, ambos de 20 anos, Raphael Luiz Dierings, de 18 e Rogério Moreira, de 23 foram presos em flagrante. O menor, que tem 17 anos, foi encaminhado à Fundação Casa.
Há algumas semanas atrás skinheads nazistas também haviam pixado uma suástica em frente ao espaço Ay Carmela.
Fica mais uma vez evidente a necessidade urgente de um combate efetivo a ação violenta destes grupos skinheads. Este tipo de violência contra anti-fascistas, negros/as, nordestinos/as, imigrantes e outros/as é cada vez mais recorrente e não pode ser encarado como “briga entre gangues”, como muitas vezes a imprensa insiste em noticiar, e muito menos como casos isolados e sem relevância. Tem de ser combatidos com toda a força e amplamente discutidos e problematizados. Minimizar a gravidade deste tipo de ação fascista que ocorre há tempos em todo o mundo atingindo uma série de grupos é fechar os olhos para um problema que coloca em risco a liberdade de todos/as nós!
Todo apoio e solidariedade aos companheiros e força na luta anti-fascista!
AVANTE @S QUE LUTAM, NEM UM PASSO ATRÁS!
Novas informações serão postadas no site. > anarcopunk.org/antifa | anarcopunk.org/noticias
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Veja outras matérias na mídia:
CMI - http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/02/487470.shtml
Terra - http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4964672-EI5030,00.html
Estadão - http://blogs.estadao.com.br/jt-seguranca/cinco-skinheads-sao-presos-apos-agressao/
R7 - http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/seis-possiveis-skinheads-sao-presos-por-agressao-na-se-20110226.html
Folha - http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/881638-skinheads-sao-presos-apos-agredir-pessoas-no-centro-de-sp.shtml
Globo News- http://video.globo.com/Videos/Player/0,,GIM1446544-7759-SKINHEADS+SAO+PRESOS+DEPOIS+DE+AGREDIR+CONVIDADOS+DE+UMA+FESTA,00.html


FONTE:http://anarcopunk.org/antifa/

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

OBSOLESCENCIA PROGRAMADA - ( COMPRAR, TIRAR, COMPRAR )

Documentário produzido pela TVE espanhola que trata da obsolescência programada, uma estratégia que visa fazer com que a vida de um produto tenha sua durabilidade limitada para que sempre o consumidor se veja obrigado a comprar novamente.





(Espanha, 53min, 2011)



O filme abre com um funcionário da emissora descobrindo que sua impressora EPSON havia deixado de funcionar sem motivo aparente e que o custo de consertá-la sairia mais caro do que uma nova.

A Obsolescência Programada começou primeiramente com as lâmpadas, que antes duravam décadas trabalhando ininterruptamente (como a lampada que está acesa há mais de cem anos num posto dos bombeiros dos EUA) mas, depois de uma reunião com o cartel dos fabricantes, passaram a fazê-las para durar apenas 1.000 horas.

Essa prática tem gerado montanhas de resíduos, transformando algumas cidades de países de terceiro mundo em verdadeiros depósitos, sem falar na matéria prima, energia e tempo humnano desperdiçados.

Surge agora no mundo consumidores conscientes que voltam a exigir que seus produtos durem muito.

FONTE:http://docverdade.blogspot.com/

TODA REVOLTA E SOLIDARIEDADE À MASSA CRITICA

ATROPELAMENTO EM MASSA NA MASSA CRITICA
MOTORISTA ATROPELA DEZENAS DE CICLISTAS NA MASSA.
 
 
 
DO DIREITO A CIDADE, NÃO ABRIREMOS MÃO!
TOMAREMOS AS RUAS COM BICES E OS PARQUES COM CAPOEIRA E SAMBA
NENHUM PASSO ATRÁS NA LUTA CONTRA OS PODERES ECONOMICOS E SUAS LEIS.
 
 

Hoje o edifício Trianon e o amanhã?



Cinco meses depois de ocupar o Edifício Trianon, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto de Pernambuco (MTST/PE) conquistou o direito de usar o prédio como moradia. A construtora que era dona do edifício desistiu da ideia de levantar um shopping no local para transformar o espaço numa área residencial destinada às famílias cadastradas no MTST. O prédio foi transformado em mais um projeto do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, e será vendido para famílias sem-teto por preços populares e condições de pagamento facilitadas. No dia 3 passado, a direção do Sindicato emprestou o auditório da entidade para uma reunião entre as famílias do MTST e a Caixa. “A transformação de um edifício ocupado pelos sem-teto em moradias populares por meio do Minha Casa, Minha vida é inédita no Brasil. É o primeiro caso que conseguimos enquadrar neste programa, que tem um outro desenho”, diz o gerente regional de Habitação da Caixa, Luiz Byron. Para a presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, é um orgulho para a entidade poder fazer parte desta história. “Nós sempre defendemos o direito à moradia como peça fuamental da conquista da cidadania. A transformação do edifício Trianon em moradias populares para os sem-teto é de extrema importância para que outros projetos como esse possam surgir dentro do Minha Casa, Minha Vida”, comenta. Jaqueline destaca que a parceria do Sindicato com o MTST é antiga. “Os sem-teto inclusive já lutaram junto com os bancários em nossas campanhas salariais”, completa.

Fonte: SEEC/PE

Comuna de teatro rural na Nicarágua.

Durante a revolução sandinista dormíamos na rede com duas armas, de um lado a espingarda e de outro o violão, hoje só temos uma, por isso nos fodem.Por Alex Hilsenbeck Filho


Quem não compreende o papel da cultura na libertação dos povos – porque não sabe do que fala quando fala de cultura, de libertação e de povos – nunca poderá contribuir para que haja cultura de esquerda. Nem esquerda. (Manuela de Freitas)

Presente: convites e encontros



Um sítio na cidade de Matagalpa, região montanhosa da Nicarágua, abriga uma comuna teatral composta por jovens de variadas comunidades rurais de regiões que coincidem na pobreza material e na escassa participação política.

Recebemos o convite para conhecer Quinta la Praga, como se chama este sítio, por uma interessante coincidência, destas que costumam ocorrer. Estávamos há uma semana em Manágua, capital do país, hospedados em Popol Nah – uma ONG presidida por Mónica Baltodano, atualmente deputada federal pela oposição à esquerda Movimento pelo Resgate do Sandinismo (MRS) e antiga Comandante da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) – quando a Mónica, filha da “Comandante”, nos convidou para irmos a um bar para desfrutar da noite nicaragüense. Ali conhecemos Luciano, integrante de uma companhia de teatro brasileira que estava fazendo formação teatral e política em Matagalpa. Conhecer o Luciano talvez não seja bem a expressão mais correta, pois já havia visto algumas peças teatrais do Dolores Boca Aberta em que ele participava e as afinidades políticas e amizades em comum o transformaram num velho-recém-conhecido.

Ao nos convidar para a comuna teatral, deixou claro que a situação era de bastante precariedade. Partimos na tarde do dia seguinte e chegamos à noite ao sítio, estavam todos esperando o Luciano para o jantar (e não sabiam que iriam mais dois “convidados surpresas”) e, de fato, a sensação foi de um contraste entre a miséria material e a riqueza das atitudes.

Os pratos já estavam feitos e contados, esperando apenas o companheiro brasileiro para jantarem, todos juntos, um pouco de arroz, banana frita e bolinho de farinha frito, e ao chegarem mais dois estômagos a parca comida foi uma vez mais re-dividida para que pudéssemos nos alimentar. No outro dia pela manhã, como nos contaram posteriormente, não sabiam o que fazer para o café da manhã porque não havia, literalmente, nada, então conseguiram comprar “fiado” numa venda próxima, pois haviam conquistado uma verba para a construção e encenação de uma peça sobre democracia participativa e participação cidadã, encomendada por algumas organizações internacionais.

Foi o início da construção deste espetáculo, e dessa formação política, que pudemos acompanhar e do qual pudemos participar. Nada sendo neutro, nem no campo da comunicação artística, acompanhamos o esforço do grupo por sintetizar o complexo e multiforme tema da democracia participativa e da responsabilidade ética abordando, sobretudo, seus limites, utilizando-se de sentidos e experiências vivenciadas e presentes no imaginário popular e rural.



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O diretor desta peça, eleito por seus companheiros, é Héctor, um jovem com formação até a quarta série. Um tanto envergonhado, e talvez ainda descrente do seu próprio potencial, o novo diretor tem que encarar sete horas de viagem de ônibus e mais uma hora a pé para sair de sua comunidade e chegar a Quinta la Praga.

Uma das atrizes, Betânia, empenhou seu anel de formatura do secundário (algo muito importante para a cultura local) para poder ajudar a financiar as suas viagens para a comuna. Ela chega a caminhar 6 km a pé para ir até a estrada mais próxima quando falha o único ônibus que passa pela comunidade. Situação nada incomum no grupo de jovens, entre 18 e 24 anos, que formam o grupo de teatro ADYNJA. Galinho chega a caminhar nove horas para conseguir ir até a Quinta. A jovem e pequena Coquito vive a 11 km da rodovia onde pega o ônibus para o sítio, tendo que atravessar rios e caminhos tortuosos.

A situação de privação pela qual passam esses jovens atores em suas comunidades não se modifica durante a estadia na comuna teatral: eles nos contaram que, quando estavam preparando uma peça do grupo, ficaram por mais de quinze dias alimentando-se somente de abacate, manga e banana, não obstante um ataque de diarréia que os acometia.

Eles vivem do teatro e não apenas fazem teatro. O pouco dinheiro que conseguem é gasto praticamente todo em transporte e alimentação e, ao mesmo tempo, temem que com maiores recursos acabem por perder a autonomia que os caracteriza. Apesar de já terem conseguido apresentar-se no teatro nacional Rubens Dário, o mais importante do país, já tiveram duas peças censuradas pelos patrocinadores por conflitos políticos.

Explicitam, assim, uma possível contradição presente no fato de que um teatro, que se pretende verdadeiramente empenhado na tarefa de transformação do mundo, tenha em seus cartazes de divulgação as propagandas das empresas que o patrocinam, aproximando-os à engrenagem das pequenas empresas capitalistas. Esta é uma situação em nada específica da arte na Nicarágua; pelo contrário, como recorda Paulo Arantes (2004, p. 224) “[…] não me parece um bom negócio para a esquerda fazer da cultura a derradeira trincheira da civilização, sobretudo agora que esse é precisamente o grande negócio da direita”. Porém, há que se levar em conta que esta relação contraditória não pode ser considerada de maneira simplista, pois a integração de uma peça teatral (ou mais amplamente de uma obra de arte) ao mercado não lhe retira por isto o seu caráter crítico, nem tampouco permite que haja uma dominação automática, pelo mercado, do seu conteúdo e dos seus efeitos sobre os que a apreciam.

A fragilidade decorrente da condição material se reflete na limitação técnica. Nenhum dos atores teve aprendizagem formal, fazer teatro na prática tem sido o meio de formação, não apenas artística, mas também política. Para Héctor,
Aprendemos e ensinamos com as pessoas do campo, mais do que ficando parados escutando um professor falar na faculdade, faculdade esta que, os que conseguiram entrar, não conseguiram continuar pagando […] aprendendo e ensinando as pessoas no campo, também estamos construindo um processo de aprendizagem para nós [1].

Passado: teatralizando na revolução sandinista
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A história desta experiência teatral começa nos tempos da revolução sandinista, num momento em que grupos de teatro, por todo o mundo, assumiram uma posição radical de ruptura com o sistema dominante. Havia uma corrente, na época em toda a América Latina, para desenvolver um teatro de criação coletiva, e fazê-lo em regiões estrategicamente importantes para a economia e o desenvolvimento sócio-político do país; no caso nicaragüense, uma dessas regiões foi Matagalpa.

Fundou-se o grupo Nixtayolero numa fazenda de um somozista [2]. Era um coletivo teatral para e dos camponeses da região, com o intuito de impulsionar processos de conscientização e formação política e educação, que depois se transformou num teatro de apoio à revolução. “Fizemos um teatro revolucionário, um teatro socialmente comprometido com o campesinato, com o trabalhador agrícola, com as mulheres, os temas do teatro abordavam a questão de gênero.” (MOLINARES).
Em uma zona de minifúndios e latifúndios, os atores ficavam apenas um dia em cada comunidade apresentando, através do teatro, os temas da revolução e os porquês da luta aos camponeses da região montanhosa. Em dois anos chegaram a passar por 170 fazendas de Matagalpa e Chinoteca, para entender os problemas dos trabalhadores agrícolas.
Quando chegávamos na fazenda, tínhamos uma enorme facilidade para conversas com as pessoas, havia identificação, o mesmo vocabulário. Conversávamos sobre os problemas dos trabalhadores do campo, da corrupção administrativa, o problema da falta de participação e integração nas organizações camponesas, sobre a luta e um monte de temas. (MOLINARES).
Na época do recrudescimento da guerra, o grupo teatral passou por seis meses de treinamento militar, andando com materiais artísticos e com armas,
[…] foram 10 anos fazendo teatro, 10 anos de mobilização em prol das políticas da revolução. Era uma visão de Che Guevara de que as melhores pessoas se entregavam à luta […] Quando tínhamos a má sorte de encontrar os Contra [revolucionários], não partíamos necessariamente para o conflito armado, pois não andávamos como soldados com a missão de dar tiros, mas soldados com outra missão, de cantar, atuar, fazer atividades recreativas com o exército. (MOLINARES).
Fizeram este trabalho sem ter um único atrito com os contra-revolucionários, desde que respeitassem o prazo limite de um dia por comunidade. Os problemas eles passaram a ter quando começaram a denunciar também os abusos do governo revolucionário já no poder. Abusos como quatrocentos camponeses amarrados, pelos sandinistas, em sacos por quatro dias. Ou quando estes ameaçaram bombardear um povoado, porque os contra-revolucionários haviam queimado uma caminhonete sandinista. Às perseguições que os grupos teatrais começaram a sofrer por parte dos revolucionários no poder estatal somam-se os fatos ocorridos em diferentes momentos e países, que confirmam a assertiva de João Bernardo (2010) de que “[…] a extrema-esquerda padece de uma indiferença à arte quando está fora do poder — porque quando obtém alguma influência sobre os acontecimentos logo descobre que os artistas são os piores inimigos se não forem úteis propagandistas” [3].

Para Molinares, um dos erros dos revolucionários sandinistas foi o de não conseguir compreender os camponeses, de não envolvê-los ativamente para lutar ao seu lado. Ele identifica como um dos motivos para este fato a predominância de certa arrogância quando a FSLN esteve no poder.

Erro de incompreensão da questão camponesa que é compartilhado pela análise de um zelador com marcantes traços indígenas e camponeses, que nos comentou que faltou à FSLN um conhecimento mais aprofundado e uma defesa mais enfática dos pueblos indígenas, da questão étnica; para ele, houve um abandono destes elementos em prol de uma atuação privilegiada no espaço urbano e nas eleições. Estas lacunas teriam sido muito bem utilizadas pela direita. Situação esta que lhe causa, “[…] um sentimento de melancolia, queria que fosse diferente, mas esta é a Nicarágua. Esquerda e direita não é preto no branco”.
Falta de compreensão da esquerda, do significado da experiência da Revolução sandinista para os trabalhadores rurais, que pode estar sendo reiteradamente repetida.

A ex-comandante Mónica Baltodano (2009, p. 38), enfatizando o universo subjetivo e a esfera da cultura, afirmou que: “Em um país essencialmente agrário, ter democratizado a propriedade rural, entregando aos agentes da mudança metade da terra cultivável do país, não foi pouca coisa. Entretanto, isto não pôde evitar que a consciência do camponês, do cidadão rural, permanecesse presa às cadeias do passado”. Para ela, estes teriam sido fatores fundamentais para o revés político-eleitoral sofrido pela Frente em 1990 e 1996. Por outro lado, para um dos fundadores da Associação de Trabalhadores Camponeses, e ainda militante da FSLN: “O problema é que os comandantes da Revolução passaram depois, na época neoliberal, muito tempo inseridos como deputados, inclusive como empresários, não houve mudanças de pessoas e isto gerou um acomodamento, e não mais uma ruptura com o sistema.”
ortega-e-somozaNeste sentido, a Quinta la Praga, numa conjuntura em que praticamente inexiste uma esquerda orgânica e alternativa no país – com exceção de poucas e pequenas experiências –, cumpre uma função de trabalho de base importantíssima ao fazer um teatro de camponeses e para camponeses. Eles conseguem assim fazer-se ouvir por muitos dos atuais descontentes com o Orteguismo ou Danielismo – como se referem ao personalismo na figura do presidente, que busca institucionalizar a revolução e personificar-se como um dos seus principais símbolos.

E esta institucionalização da revolução, isto é, a sua burocratização e assimilação pelo capitalismo democrático, mais do que atributos de corte psicológicos por parte dos revolucionários – como uma possível arrogância no trato com os camponeses –, nos parece uma das chaves para compreendermos de que maneira esta verdadeira revolução acabou abrindo as portas do país ao neoliberalismo e como, atualmente, esvaziou o significado revolucionário da FSLN. Neste sentido, uma das peças para entendermos este processo – e para não fugir do tema de que estamos a tratar – encontra-se exatamente na experiência de Quinta la Praga e do grupo Nixtayolero.

O sítio foi comprado em 1984 por cerca de quinze mil dólares. Quando o grupo se fragmentou, com as rodadas eleitorais de 1990 – que marcaram a derrota eleitoral da FSLN –, muitas das pessoas que faziam parte da comuna passaram a fazer um gênero teatral mais comercial, na capital e para a televisão, e nesse momento também dividiram a terra que era usada enquanto comuna. Cabe perguntar, diante da típica fórmula pasteurizada e pós-moderna das televisões, se não estaria em processo a supervalorização dos efeitos estéticos e técnicos em detrimento do compromisso ético. “A comunicação artística pós-modernista, tendencialmente acrítica quanto ao sistema em que se insere, foi reduzida aos seus aspectos não subversivos” (JOSÉ MÁRIO BRANCO, 2009). De fato, conforme Juan Gazol Valle (2011): “Outras experiências teatrais – para além do Nixtayolero dos anos 1980 – têm caído no mercantilismo e, inclusive, algumas hoje são sociedades anônimas, e tristemente conservam um posicionamento como ‘alternativas culturais’, sem entrar em tensões tão fortes com o governo”. Gerardo Molinares sintetiza bem a diferença política entre estes dois momentos históricos: “[…] durante a revolução sandinista dormíamos na rede com duas armas, de um lado a espingarda e de outro o violão, hoje só temos uma, por isso nos fodem”.

Este camponês, no entanto, permaneceu fazendo teatro na mesma região, nos intervalos dos trabalhos do campo, das colheitas e plantações. Ele passou de 1991 a 1996 trabalhando em plantações de café para juntar um pouco de dinheiro, comprando pedaços de terra do antigo sítio comunal e organizando grupos teatrais nas comunidades em que trabalhava. Fundou, assim, o Tecum Umanii [4], uma companhia de teatro camponês, com pessoas de distintas localidades rurais que iam de comunidade em comunidade apresentado as peças.
gerardo-molinares1Aliás, a história de Gerardo Molinares com o teatro também vale a pena ser registrada. Ele somente veio a conhecer o teatro aos 13 anos, até então não sabia que algo assim existia. Com esta idade ele era professor voluntário pela jornada nacional de alfabetização em uma comunidade rural, pois sabia ler e escrever, ainda que não tivesse nenhuma noção de pedagogia. A maioria dos seus alunos eram adultos, maiores de 30 anos. Quando fazia mais ou menos um mês que estava lecionando, chegou um homem bem vestido e disse que o jovem professor estava fazendo algo muito lindo, ele estava muito emocionado e impressionado, mas que poderia alfabetizar de forma diferente. De maneira mais simples, porque o que as pessoas ali necessitavam era se alegrarem, se divertirem, pois passavam o dia todo no campo trabalhando, esgotados, e a aprendizagem deveria ser uma alegria, uma diversão. Poderia, por exemplo, dizer que a letra “O” é uma senhora gorda e a letra “A” é uma senhora que gosta de andar – associando as letras com imagens, com sentido humorístico. Então, os camponeses começaram a rir. Ao final, ele se apresentou e disse que era Alan Bolt, e que iriam fazer um grupo de teatro e gostaria que os camponeses integrassem esse grupo, não importando se sabiam ler ou escrever.

Gerardo, de início, não se entusiasmou com a idéia de ser ator, ele saía do trabalho na fazenda às duas da tarde e quando viu o grupo de teatro ensaiando disse: “[…] esta merda é uma palhaçada! Isto não é trabalho! Trabalho é cortar café, trabalhar com gado etc. Então perguntei para as pessoas se recebiam para fazer teatro, e disseram que sim, então pensei que seria bom mudar de trabalho!” (MOLINARES).

Futuro: desafios da coerência entre forma e conteúdo
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A ADINJA monta uma peça em cerca de um mês, seu processo de construção é pensado e realizado coletivamente e traz consigo implicações não apenas artísticas, mas também políticas, representando um papel social pela estreita relação entre as peças teatrais e os problemas sociais.
Na Quinta, todos os trabalhos são repartidos em duplas e sem divisão sexual ou social do trabalho. Todos realizam rotativamente todas as tarefas do cotidiano, do cozinhar ao limpar.

Seus integrantes adotam a perspectiva de fazer uma escola de arte popular – aprofundando os processos de formação para além da ferramenta teatral – e pretendem transformar a Quinta em uma chácara auto-suficiente na alimentação através de métodos agroecológicos. Uma das questões centrais em que estão trabalhando agora é a mudança geracional dentro da companhia.
Estamos entrando em uma nova fase, que significa também desaprender, pois há atitudes, comportamentos, práticas muito arraigadas, que custa mudar e que causam danos, mas que há que mudar, pois não podemos seguir na mesma maneira que vínhamos. Isto é, não podemos falar de mudanças com velhos métodos, ou com velhas práticas, estruturas e conhecimentos […] O bonito [na ADINJA] para mim é que no grupo o único viciado [nas velhas práticas] sou eu, tenho claro, e tenho que tomar muito cuidado de não viciar a eles com meu vício, pois na cultura nicaragüense, e creio que na cultura latino americana em geral, há muito machismo, muito “adultismo” e temos que lutar todos os dias contra isso, colocar-se num plano de igualdade em coisas práticas, o que custa para os que estão acostumados a ter privilégios, a ser diferentes, custa muito. (MOLINARES).
Para Juan Gazol Valle (2011), algo muito interessante que está a se passar é:
[…] o efetivo diálogo intergeracional entre ADINJA e Tecum Umanii, não apenas com Molinares, pois Tecum é um grupo de “velhos”, mas tem sabido entender seu papel político. Há uma cooperação permanente entre ambos, não apenas em termos artísticos, mas na construção de definições e práticas coletivas.
Obviamente, são grandes as dificuldades e os desafios impostos por esta opção de não separar forma e conteúdo, não apenas no produto da arte em si, mas na própria busca por coerência entre o que se acredita e o modo de se viver. Esta negação do sofisma da não unidade entre forma e conteúdo nos é lembrada por um importante músico português: “[…] muita gente, para justificar uma visão idealista e utilitarista da arte, pretende que há uma diferença de natureza entre a forma e o conteúdo. São como os revolucionários para quem a revolução é um lindo projecto, e não aquilo que se faz – ou não se faz – um pouco todos os dias” (JOSÉ MÁRIO BRANCO, 2010).

Este compromisso de coerência entre ideologia e prática, assumido pela companhia teatral reflete-se no trabalho político que realizam e nos conflitos que travam – inclusive com os organismos que os financiam –, pois, ao suas obras abordarem temas como desenvolvimento humano sustentável, eqüidade, participação política e democracia, elas explicitam a falta destes elementos no cotidiano popular, ou ainda denunciam o caráter somente discursivo e demagógico de certas instituições, expondo suas contradições.
Para a jovem atriz Coquito eles constituem-se como “[…] um dos únicos grupos da Nicarágua que está fazendo um trabalho diferente do que está sendo feito por outras organizações e o governo, por isso temos os conflitos que temos, e estamos aqui com a escassez e a miséria, porque reconhecemos o nosso trabalho, do contrário não conseguiríamos.”

A politização crítica dos atores da ADINJA é um elemento central de suas formações e obras, conforme Hector: “Eu não sabia o que era valor, agora me preocupo com todos os jovens de minha comunidade e não apenas com eles”.

Os atores e atrizes buscam politizar e levar uma forma de crítica para as comunidades rurais através de um teatro engajado, com uma linguagem mais “divertida” e própria da situação de vida dos camponeses [5].
Quando nós chegamos com uma hora de teatro, que é uma hora de muita reflexão, de linguagem nossa, como camponeses, para outros camponeses, então nos entendem […] o que lhes permite se identificar e ver o que estão vivendo, que isto está passando em suas comunidades […] eu particularmente me satisfaço quando conseguimos injetar essa força de contestação, quando as pessoas se identificam com algum personagem da obra […] isto nos enche de muita alegria […] (DARLING).
Sendo verdade que o caráter político da arte consiste na capacidade que ela tem de mudar a maneira de entendermos o mundo, este axioma é real também para os que fazem arte. Assim, os meninos e meninas de ADINJA, que têm aprendido a fazer teatro criando as peças, têm aprendido também sobre a economia, o país, a história, a geografia. O teatro tem sido os seus meios de aprendizagem e de formação.
Por exemplo, […] o tema da luta de classes eu não havia dado tanta importância teórica, importância política. Mas quando veio o Luciano [do Dolores Boca Aberta], ele nos disse que estamos fazendo um trabalho que é da classe, camponesa, operária. E começou a falar sobre a burguesia, sobre o capitalismo. E comecei a mover as coisas e começo a associar que é verdade, que temos que ter esta clareza, porque nos podem manipular, nos podem usar, e fazer com que nós contribuamos a fazer algo que nos cause mal, ou seja, ser instrumento de pessoas ou entidades, ou organizações que têm um propósito aparentemente democrático, aparentemente de desenvolvimento humano, mas que no fundo têm uma visão burguesa, capitalista ou opressora. (MOLINARES, 2010).
Isso demonstra uma clareza política vital num momento em que há uma virada histórica, em boa parte do mundo, do “social” para o “cultural”, que se transformou no campo preferido do novo establishment global, e em que a sociedade civil é parceira para qualquer coisa e não se refere mais à arena da luta pela hegemonia numa sociedade dividida entre classes antagônicas (ARANTES, 2004).
el-tesoro-del-nancitalA Companhia Teatral Tecum Umanii utiliza o teatro como uma ferramenta de socialização e sensibilização sócio-política a partir de um corte popular e classista, tendo por proposta estética a realidade rural e seu imaginário. Ela parte das expressões culturais camponesas, tais como a tradição oral, a música, a simbologia, a linguagem coloquial e a poesia, desenvolvendo uma dramaturgia rural por meio de pesquisas dos fenômenos próprios desta realidade. Aspiram a promover uma mudança de atitude dos trabalhadores do campo frente aos seus opressores e exploradores,
O capital dos ricos é feito do suor e sangue, dos poros e artérias, de homens e mulheres do campo, que são condenados a ser a classe inferior; obrigados eternamente a uma violação de seus mais elementares direitos […] O campesinato tem sido uma classe social atropelada, sobretudo pelos grandes caudilhos, de uma tendência ou outra, e destes atropelos fala e deve falar nosso teatro. (MOLINARES, s/d).
Neste sentido, a utilização do teatro, por grupos enraizados em comunidades camponesas, permite representações simbólicas de suas experiências e identidades, desenvolvendo e problematizando questões que influem no cotidiano das comunidades, que denunciem as distintas violências no mundo rural, mas sem negar as suas potencialidades. Como, por exemplo, denúncias diretas da destruição ambiental promovidas por grandes fazendeiros e produtores em cumplicidade com autoridades locais, a recusa da reprodução de relações patriarcais de gênero pautadas na submissão da mulher, a cultura autoritária da educação religiosa, a necessidade de construir um novo tipo de liderança, a problemática institucional que afeta as cooperativas, os dilemas da organização comunitária, a migração dos jovens para os centros urbanos, a burocratização e institucionalização do poder estatal através do caudilhismo corrupto e, sobretudo, a necessidade de construção de meios de autogestão e autonomia, baseados numa horizontalidade orgânica e na solidariedade entre seus membros (GAZOL VALLE, 2010).

Tentam, portanto, fugir de um teatro que seja um mero manifesto ideológico [6], isto é, um panfleto político ou um sketch de agitação e propaganda. Ao contrário, pretendem desenvolver uma dramaturgia “Que permita às pessoas […] aprender, desaprender e voltar a aprender” (MOLINARES, s/d), vinculando o discurso estético e a vida cotidiana, valendo-se das próprias experiências, da realidade social comum e da cosmovisão que identificam os atores e o público pretendido.

Para onde?
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Esta politização, promovida pela companhia teatral Tecum Umanii e pelo grupo ADINJA, tem o grande mérito de auxiliar – mesmo perante toda a sua limitação – na renovação de um novo-velho processo emancipatório. Pois, pela própria conjuntura do país, a construção – desde e para os de baixo – de uma arte, como forma organizadora da imaginação, que desenvolva manifestações culturais que não sejam mera reprodução de uma massificação nula de subversão pela indústria cultural, pode ir para além do jargão do pensamento único e avançar no processo de romper os padrões éticos, estéticos e políticos dominantes, podendo incluir no cotidiano da(s) classe(s) trabalhadora(s) o aspecto do belo, que eleve a sua percepção e o seu nível de consciência, que renove os seus sentidos, que construa novas redes de solidariedade e de resistência [7]. Para tanto, um dos desafios colocados em termos organizativos é o de consolidar o trabalho em rede nas comunidades rurais e também com os grupos e organizações urbanas que, a duras penas, mantêm um trabalho autônomo e de esquerda.

A Nicarágua foi fraturada socialmente por uma revolução, e após três mandatos de governos neoliberais e a volta de uma simbologia revolucionária com o governo “cristão, solidário e socialista” de Daniel Ortega na direção do partido da FSLN, a derrota não se limitou ao plano político e eleitoral; ao contrário, esta derrota adquiriu profundas raízes sociais e tem restringido as perspectivas revolucionárias de mudanças ao limitado âmbito da democracia burguesa, cada vez mais domesticada pelo capital [8].
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Para Yoli, uma militante feminista que viveu durante anos em Cuba, o espaço de experimentação de novas sociabilidades comunitárias é fundamental, pois, “A Revolução como a concebo é um processo permanente, como o correr de um rio, tem seus altos e baixos, e não podemos confundir com o regime, está mais no campo micro. Não se pode viver continuamente em luta aberta”. Entretanto, pensando nos aspectos estruturais de mudança social, o seu companheiro – estadunidense e que também morou por anos em Cuba – pondera que, “Por outro lado, se pensarmos no campo macro, parece que perdemos uma janela histórica aberta no processo revolucionário na Nicarágua e infelizmente não a aproveitamos” (CIRCLES).

Assim, se para a grande maioria da população ainda impera a condição de submissão aos exploradores (nacionais ou estrangeiros, de direita ou de esquerda), há os agravantes da perda de memória revolucionária entre os mais jovens e de desorganização da classe trabalhadora em seu conjunto. Conforme um dirigente do sindicato camponês e membro da FSLN: “Nossa geração que lutou está num momento de desilusão, enquanto os jovens já foram crescendo num sistema capitalista”. Após décadas de luta armada e da vitória neste campo com a instauração de um governo sandinista, ao perceber que a situação concreta de suas vidas, de subordinação e exploração, não se modificou estruturalmente, quais os caminhos de esperança a percorrer? A resposta do poder tem sido unicamente a via da democracia eleitoral, para que tudo permaneça exatamente igual.

Um país em que, ainda, são pequenas e incipientes as experiências de uma oposição de esquerda autônoma, em que as pessoas transparecem uma melancolia tentando compreender o porquê de ainda estarem como estão, enquanto não se esquecem da contagem de seus mortos em um passado recente [9]. Um país no qual não parece – na superfície – se apresentarem alternativas para além de uma polarização da caricatura eleitoral da democracia, entre um personalismo dito de esquerda que aprofunda as políticas econômicas neoliberais e, por outro lado, entre neoliberais que prometem avançar com as políticas sociais. Na Nicarágua estas experiências teatrais de caráter subversivo parecem ser uma opção de lucidez, ainda que pequenas e limitadas, de manter viva a chama de intransigência pela dignidade, de levar a uma “insurreição da consciência” [10], para entender o que se passa e o que se passou no país e auxiliar na promoção de uma cultura de resistência de esquerda, que em contato com outras resistências, localizadas em outras áreas, permita fortalecer as rebeldes e teimosas raízes históricas – por vezes subterrâneas – de sua libertação, não apenas nacional, mas do capital.

Notas:

[1]: As citações dos atores e atrizes, salvo indicação contrária, fazem parte de duas entrevistas realizadas e gravadas na Quinta la Praga, cidade de Matagalpa. As outras citações de pessoas na Nicarágua compõem um trabalho de campo no qual ficamos três semanas e conhecemos seis cidades do país, em outubro de 2010.
[2]: Nixtayolero significa Luz do Amanhecer em língua nativa, ou Vênus numa das traduções possíveis. De maneira ditatorial a família Somoza governou a Nicarágua por décadas.
[3]: É notório que a esquerda, não poucas vezes, pautou a sua relação com os artistas como se estes fossem meros instrumentos de agitação e propaganda, ainda que se tenha que levar em conta, no caso concreto da Nicarágua, a informação dada por Molinares de que antes do triunfo da revolução não havia no país um Ministério da Cultura nem uma instituição para o fomento desta, mas apenas grupos independentes de elite, e que o governo revolucionário sandinista criou diversos programas sociais, políticos, culturais, inclusive o Ministério da Cultura. O departamento teatral possuía uma perspectiva bastante progressista e comprometida com a revolução quando assumiu Alan Bolt, e tinha uma concepção de que a arte deveria ser verdadeiramente popular e a partir das raízes nicaragüenses.
[4]: Hoje composta pelo grupo de mesmo nome e pela ADINJA.
[5]: A questão central da forma de linguagem para uma comunicação política eficiente é abordada por Omar Cabezas (militante da época revolucionária da FSLN), ao narrar (num belíssimo livro) um momento quando estava fazendo trabalho de base nos bairros da Nicarágua: “Era difícil estabelecer comunicação com as pessoas. É que não existiam laços orgânicos, não havia laços ainda, nem ideológicos nem políticos; nossa palavra era para eles uma mescla de perigo e de expectativa; de estranheza e de temor […] Fiz então uma descoberta […] descobri que a linguagem identifica. Descobri por minha própria conta que a linguagem comunica. Eu ia repassando os rostos de todas as pessoas que estavam à nossa volta; olhava os operários com bonés, que não diziam nem sim nem não; mulheres gordas com aventais, que não riam, mas tampouco diziam não, eram rostos de alguma medida impenetráveis, impessoais. Em mais de uma ocasião tivemos a sensação de que não estávamos fazendo nada, que as pessoas não nos entendiam, que não lhes importava. E queríamos à força, de qualquer jeito, enfiar no cérebro das pessoas o que estávamos dizendo, mas não era possível […] Eu lembro que, uma vez, falando, disse palavrões e, então, as pessoas sorriram quando eu disse palavrões e ficaram se olhando; comunicaram-se, entre eles sim havia comunicação, riram, mas riram de algo que eu havia dito. Percebi que me comunicara. E esse é um elemento muito importante, porque comecei a notar que um palavrão ou uma palavra grosseira dita no momento certo tem um impacto político bem explosivo e bem penetrante. E não é a mesma coisa ir falar da conjuntura histórica em um bairro, do que lhes dizer que os ricos exploradores vão com a grana para a Europa, percebe?” (CABEZAS, 2008, p. 55-56).

[6]: O que, à primeira vista, pareceria ser o oposto do formalismo pós-modernista (que desvaloriza o conteúdo e traduz, assim, a fragmentação e atomização da vida social), mas acaba por identificar-se com este, ao sublinhar a prevalência do conteúdo sobre a forma, de que o importante na arte seria a imediatez e a evidência dos sinais discursivos, servindo apenas como uma ferramenta de agitação e propaganda (JOSÉ MÁRIO BRANCO, 2010), e como afirmou Mathias Langhoff (2009, p. 137-138), “Ele [o teatro] não tem seu elemento político como ideológico. O teatro que quer manifestar ideologias não é teatro político”.
[7]: “Mas a revolução cultural quer ir além de perceber o belo, quer buscá-lo e recolocá-lo como parte integrante da vida social” (BOGO, 2009, p. 86).
[8]: “Desde esta perspectiva [de oposição ao neoliberalismo] seria justo – ainda que vergonhoso – ter que reconhecer que na Nicarágua apesar de haver existido uma revolução verdadeira, não existe hoje nenhum partido de esquerda […]”. (BALTODANO, 2009, p. 143).
[9]: Segundo um funcionário da casa da Revolução, na cidade de Léon: “A guerra fez muitos mortos, deixou vários mutilados e diversos outros com seqüelas mentais”. Ele próprio estava passando por tratamentos psiquiátricos e trabalhar no museu, contado e recontando a história da Revolução da Frente Sandinista, lhe auxiliava no processo de catarse.
[10]: Como se referia Orlando Nuñez, um intelectual destacado da FSLN.

Bibliografia:

ARANTES, Paulo (2004). Documentos de cultura, documentos de barbárie – O sujeito oculto de um manifesto. In: ARANTES. Zero à esquerda. São Paulo: Cortez, p. 221-235.
BALTODANO, Mónica (2009). Sandinismo, pactos, democracia y cambio revolucionário – Contribuciones al pensamiento político de la izquierda nicaragüense. Manágua.
BERNARDO, João (2010). Portugal não existe. http://passapalavra.info/?p=33125.
BOGO, Ademar (2009). O MST e a cultura.
CABEZAS, Omar (2008). A montanha é algo mais do que uma imensa estepe verde. São Paulo: Expressão Popular.
GAZOL VALLE, Juan Carlos (2010). La experiência organizativa de la red de jóvenes rurales de Boaco y Camoapa. Projeto de pesquisa vinculado ao Grupo de Trabalho do Conselho Latino Americano de Ciências Sociais Anticapitalismos e sociabilidades emergentes. Enviado pelo autor por e-mail.
GAZOL VALLE, Juan Carlos (2011). Trocas de correspondências eletrônicas com o autor através do e-mail.
LANGHOFF, Mathias (2009). In: Atuação Crítica – entrevistas da Vintém e outras conversas. São Paulo: Expressão Popular, p. 137-138.
MÁRIO BRANCO, José (2009). A oficina da canção III – No canto não há neutralidade. http://passapalavra.info/?p=11470.
MÁRIO BRANCO, José (2010). A oficina da canção IV – O sofisma da oposição entre forma e conteúdo. http://passapalavra.info/?p=29443.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CAIU MAIS UM DITADOR.

POVO COMEMORA A DERRUBADA DE MAIS UM DITADOR NO MUNDO ARÁBE
 
 Mubarak abandona o poder
 
O presidente deixou o Cairo nesta sexta-feira junto com a família; multidão comemora nas ruas
 
11/02/2011


O presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou à presidência e entregou o poder às Forças Armadas, anunciou nesta sexta-feira (11) o vice-presidente, Omar Suleimán. Na cidade do Cairo, capital do país, centenas de pessoas celebram a notícia.

"Mubarak renunciou. As ruas do Cairo são um clamor. Há gritos, abraços", informou o correspondente da Telesur, Rodrigo Hernández.

Desde as primeiras horas desta sexta-feira, circulou a infomação de que Mubarak havia abandonado a capital junto com sua família e se dirigido a uma de suas residências na cidade portuária de Sharm el Sheij, próximo do Mar Vermelho, duas semanas depois de intensas manifestações que exigiam sua saída do poder. A informação foi dada pela presidência, de acordo com informações do correspondente da Prensa Latina no Egito, Ulises Canales.

"A presidência da República acaba de confirmar que se encontra com sua família em Sharm el Sheij, mas nega que isso signifique ou tenha relação com uma eventual saída do país", informou o correspondente.

Na quinta-feira (10), o mandatário havia anunciado, em um discurso transmitido ao vivo, que transferia os poderes ao seu vice-presidente, Omar Suleimán. No entanto, afirmou que iria permanecer no cargo até as eleições de setembro.

Durante o discurso, ele afirmou que não participaria do próximo pleito, mas que "viverá e morrerá no Egito". 

Celebração
A euforia do povo egípcio é registrada em diferentes pontos do país, como relata o correspondente da Telesur no país, Rodrigo Hernández. De acordo com ele, "as pessoas dizem que é um triunfo de um povo em toda a região" e que o que ocorreu no Cairo é para "ensinar a toda a região que é o povo árabe que tem que governar".

"As pessoas estão partindo de diferentes pontos da cidade [Cairo] para celebrar. Os estabelecimentos estão sendo fechados para celebrar, a partir da praça central do Egito, a queda de Mubarak", afirmou

Ele informou, ainda, que as pessoas aguardam com expectativa pelo que acontecerá a partir de agora, para saber quem assumirá o governo. "Há muita ambiguidade e dúvidas sobretudo em função do papel que terão as pessoas que pertenciam ao governo", informou.

Com informações da Telesur)

Tantawi: El favorito del Pentágono queda al mando en Egipto

Por Fernando Navarro, de El País
 
En el Ejército egipcio, ningún militar ha sido tan fiel a Hosni Mubarak y al mismo tiempo tan trascendental para conseguir su salida de la presidencia como el poderoso ministro de Defensa egipcio, Mohamed Husein Tantawi, quien ha quedado al frente del Consejo Supremo militar que ha asumido el poder en el país árabe.
Este veterano general de 75 años ha simbolizado más que nadie la división existente en la cúpula militar, que se ha debatido durante semanas entre ser leal a Mubarak o satisfacer las demandas populares y las presiones internacionales.
 
Conocido por algunos oficiales como “el perrito faldero de Mubarak”, Tantawi lleva desde 1991 como máximo responsable de Defensa en Egipto. Nunca ha fallado a su gran benefactor y, como el rais y el vicepresidente Omar Suleimán, tuvo un papel destacado en la guerra del Yom Kippur contra Israel en 1973. Ascendió al vértice de la pirámide militar egipcia, aunque más le ayudó ganarse la confianza de Mubarak.
 
Su fidelidad al régimen no ha sido nunca cuestionada y, por eso, Washington veía en él un candidato potencial a suceder al presidente egipcio en los próximos años si, en el curso natural de los acontecimientos, no hubiesen estallado las revueltas. A partir de ese momento, y con la calle pidiendo enfurecida la cabeza de Mubarak, Tantawi se fue soltando de las riendas del presidente para erigirse en la voz más autorizada entre la cúpula militar egipcia en las intensas negociaciones con la Casa Blanca.
 
En las últimas dos semanas, estuvo en contacto directo con el secretario de Defensa norteamericano, Robert Gates. Según fuentes estadounidenses, ambos estudiaron el plan de salida de Mubarak. Tantawi, que presidió el primer Consejo Supremo militar sin el presidente, también intentó controlar a la oposición durante el proceso de cambio. Con Mubarak todavía en el poder, se le pudo ver en la plaza de la Liberación, como un claro signo de que el Ejército no iba a enfrentarse a los manifestantes, a los que pidió que abandonaran las protestas de forma pacífica.
 
No fue el único gesto de los militares. Antes de la salida del faraón, al centro de El Cairo también acudió el general Sami Hafez Enan, jefe de las Fuerzas Armadas, que se rodeó de multitudes cuando apoyó las demandas del pueblo y aseguró que el Ejército salvaguardaría su seguridad.

Los amigos de Mubarak: Se quema Egipto

 

Fonte:http://utopia-e-luta.blogspot.com/


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Miséria e Poder


Onde está a “Gestão Democrática do Transporte Metropolitano”?

Com o surgimento da Grande Recife Consórcio de Transporte, que substitui a antiga EMTU, veio a propaganda de um novo modelo de gestão conduzida por um espírito democrático, na qual se elegeriam delegados com o voto direto e estes decidiriam as diretrizes da Grande Recife. Em sua primeira conferência, através de Grupos de Trabalhos, foram decididos, de forma “democrática” diversos pontos como a acessibilidade às necessidades especiais nos ônibus, porém destaco: 1- Criação e implementação de Tarifa Única (hoje temos vários anéis, e dentro destes Anéis temos – ao contrário do levantado pelo Ministério Público – a passagem mais cara do Brasil, Anel B R$ 3,10); 2- Diminuir os preços das tarifas; 3 – diminuir a taxa de lucro dos empresários e divulgar os lucros atuais; 4 – efetuar licitação das linhas (hoje os empresários do setor detêm o monopólio); 5 – efetuar auditoria nas empresas.

Como se pode ver, o Governo do Estado enaltece a democracia, porém não só não segue as decisões tiradas segundo o que eles chamam de democracia, como as contraria, como podemos constatar neste último aumento das passagens. Não satisfeitos, ainda tentam denegrir a imagem daqueles que anseiam pela democracia de fato. Acusam jovens com espírito bravo de serem vândalos por lutarem por um mínimo de respeito à população. Em uma nota paga veiculada nos principais jornais da RMR, utilizam-se de subterfúgios como a mentira, tentando implantar o medo na população. Dizem, de forma clara, que em atos e manifestações pró-democracia, “arremessaram bolas de gude contra as paredes, as quais ricochetearam e acabaram por atingir e ferir várias pessoas que aguardavam para carregar o cartão VEM. Desafio a Grande Recife divulgar as imagens de tal ato. Na verdade, nelas constará o uso excessivo da força por parte da direção da Grande Recife, cujos seguranças rasgaram bolsas dos manifestantes e tentaram roubar um megafone e câmeras que registraram toda a arbitrariedade. Quem precisa se utilizar da mentira para defender suas posições, está querendo esconder algo.

Não houve bolas de gude, muito menos feridos. Nada foi arremessado às paredes. Os estudantes que fizeram o ato não tinham motivos para agredir a população, isto é lógico. Mas a Grande Recife faz a população de palhaça, subestimando até sua capacidade de supor que a manifestação estava a favor dos que carregavam o VEM. A Grande Recife, acobertada pelo governo do estado, no auge de sua hipocrisia utiliza-se da blasfêmia para criar um terror no que diz respeito aos movimentos sociais, estes que sofrem cotidianamente a repressão promovida por uma aliança altamente perigosa entre governo e empresários. Enquanto a população ludibriada sofre com um serviço ruim e os cobradores e motoristas trabalham por um salário péssimo, os empresários e “autoridades” governamentais nadam em suas piscinas de lucro.

Sem exageros, posso afirmar que estamos diante de uma Gestão demagoga do Transporte Metropolitano, que, além de não cumprir com suas promessas, ainda tenta manipular a população publicando mentiras absurdas em jornais de grande circulação.

Luis Zanforlin é graduando em Ciências Sociais pela UFPE e Delegado Eleito da I Conferência Metropolitana de Transporte.

Protesto contra o aumento das passagens – terça-feira [15/02]

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

AÇÃO DIRETA É A ARMA QUE NOS TEMOS...

INTERVENÇÃO DE TEATRO EM AÇÃO DIRETA NO BUZÃO!
A CAMBADA DE TEATRO EM AÇÃO DIRETA LEVANTA FAVELA, REALIZA A INTERVENÇÃO "PULA A ROLA" COMO FORMA DE INCENTIVAR A POPULAÇÃO A PRATICAR A DESOBEDIÊNCIA CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS.



FONTE:

http://utopia-e-luta.blogspot.com/2011/02/acao-direta-e-arma-que-nos-temos.html

O protesto de sexta (04/02) e a nota da Grande Recife Consórcios

Ontem, sexta-feira (04/02), o Comitê contra o aumento organizou mais um ato na cidade do Recife. Dessa vez os manifestantes protestaram contra o aumento das passagens de forma mais inovadora: ocuparam o SETRANS, na Maciel Pinheiro, por cerca de 1h. Alguns carregavam cartazes com exigências como “redução é pouco, passe livre já”, enquanto outros traziam consigo bandeiras da UESPE, que acabavam por dar mais visibilidade à entidade em questão do que à causa.
Houve panfletagem e agitação com gritos como “mãos ao alto, R$3,10 é um assalto”, no intuito do movimento dialogar com a população e convidá-la para o próximo ato organizado pelo Comitê, o qual será na quarta-feira, 09/02. Alguns reprovaram a iniciativa, outros aplaudiram e até se juntaram ao grupo de 30 pessoas que agitava a sede do VEM.  Em um determinado momento, soltou-se uma bombinha no canto de uma parede, o que assustou algumas pessoas devido ao barulho e à fumaça. No entanto, ninguém se feriu – o que seria bem improvável diante de uma mera bombinha – , não havendo dano qualquer a integridade física dos manifestantes, do estabelecimento, muito menos dos clientes. Nesse ponto, é importante fazer uma ressalva como resposta à nota mentirosa publicada pela empresa em questão e pelo governo do Estado nos principais jornais da cidade: não houve arremesso de bolinhas de gude, de modo que os participantes do ato não agrediram de maneira alguma a população. Pelo contrário, o movimento está com as pessoas e contra o governo.
O intuito era e é agredir a instituição do Estado, que, embora divulgue que na semana passada recebeu “fraternalmente” uma comissão dos manifestantes, não divulga que, no dia 28/01, o secretário Danilo Cabral covardemente boicotou uma reunião com uma comissão, reunião essa marcada há um mês com a condição de que a UESPE não organizasse nenhum protesto nesse meio tempo. Com essa atitude calculada, o governo tentou desmobilizar a luta contra o aumento das passagens. No entanto, para não sofrer qualquer acusação, o governo, depois de um mês e já calculando a desmobilização, decide receber com muita boa vontade uma comissão de manifestantes para o tal “diálogo”: o governo do Estado está irredutível no que diz respeito ao preço das passagens de ônibus. Um verdadeiro monólogo.
Nunca houve nem há comunicação entre a população e o Estado. Nesse sentido, é legítimo questionar o governo que, ao contrário do que é noticiado em determinadas mídias corporativas, não existe para proteger o povo. É extremamente contraditório convocar, em nota, os estudantes para deslegitimarem uma iniciativa que, verdadeiramente, pretende questionar as medidas governistas que, justamente, prejudicam a população. Além disso, é uma covardia ameaçar diplomaticamente (ou não) as próximas mobilizações. Na nota publicada pela Grande Recife, ficou implícita a ameaça de forte repressão para qualquer outro ato que venha a acontecer. Simbolizar uma resistência soltando bombinha e pichando “Passe livre” nas paredes do Passe nada fácil não é uma agressão à população, e sim uma agressão aos empresários e ao governo. Não seria muito mais ofensivo à tal democracia  reprimir manifestações com seguranças brutos que chegam a rasgar a bolsa de um manifestante para roubar seu megafone e sua máquina fotográfica?
É no mínimo estranho ler em nota uma crítica à “violência” dos “vândalos” quando o próprio Estado dá ordens à polícia e, em muitos casos, ao batalhão de choque para acabar, a todo custo, com a manifestação que, teoricamente, o governo encara como legítima na nossa “democracia”. No ato dessa sexta-feira (04/02), os policiais constrangeram muitos manifestantes ao obrigá-los a abrir a bolsa para revistá-los. E mais: chegaram a ameaçar um participante com um cassetete para que ele parasse de filmar o ato. Que polícia é essa que tem medo de se mostrar? Quem são os verdadeiros vândalos? Sim, os policiais. Mas a mando do governo. A ordem de repressão é dada por aqueles que nos acusam de agredir a população.
Não acreditemos nas mentiras noticiadas pela mídia corporativa e pelo próprio governo do Estado. Foi vergonhosa a  difamação publicada pela Grande Recife Consórcios, que acusou publicamente os manifestantes de uma falsa atitude irresponsável e violenta para com as pessoas:
“Os manifestantes chegaram ao cúmulo de detonar um artefato explosivo (bomba), causando danos materiais e assustando dezenas de pessoas que se encontravam no local (…) também arremessaram bolas de gude contra as paredes, as quais ricochetearam e acabaram por atingir e ferir várias pessoas”.
É uma covardia publicar mentiras numa tentativa de manipular a população. Uma acusação desse porte é muito grave, um verdadeiro absurdo! A mídia corporativa mais uma vez acoberta uma mentira, o que não nos surpreende, dado seu descarado posicionamento a favor da classe dominante, na qual se inclui o Estado.
Protestemos com ainda mais força contra o aumento das passagens, mostrando que não somos nós que precisamos ser legitimados pelo Estado, e sim o contrário, ou nem isso.
Próxima quarta-feira (09/02), vai haver mais um protesto. Será às 13h, com concentração no Ginásio Pernambucano. Participe e resista!

Recife Resiste!

http://reciferesiste.wordpress.com/

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Aumento de passagem é roubo!

Se a passagem não BAIXAR o RECIFE vai PARAR!(09/03)13H

EL MURAL MÁGICO - POR CHECHO VALDEZ

Interesante vídeo donde el profesor mexicano Sergio -Checo- Valdez Ruvalcaba (1) va explicando el detalle y significados de los distintos componentes que conforman el Mural de Taniperla, según lo idearon y realizaron sus creadores de las comunidades indígenas y zapatistas pertenecientes al Municipio Autónomo en Rebeldía Ricardo Flores Magón, en Chiapas, México.
El vídeo se hizo en el año 2001, con motivo de una visita de Checo Valdez a Madrid y otros lugares del estado español, sirviendo de acompañamiento e introducción a los actos públicos en que participó durante aquel viaje y recorrido.
 
FONTE:

[recife] Quarta: Protesto contra aumento das passagens ateia fogo no centro!


Cansados de conversinhas e de não serem levados a sério, estudantes de Pernambuco saem mais uma vez (pela sexta vez) em passeata pela Av. Conde da Boa Vista, centro do Recife. Porém desta vez causam um impacto maior: Pneus são queimados em plena avenida, criando uma imensa nuvem preta de fumaça, o que tirou a visibilidade de toda a via.

Cansados de conversinhas e de não serem levados a sério, estudantes de Pernambuco saem mais uma vez (pela sexta vez) em passeata pela Av. Conde da Boa Vista, centro do Recife. Porém desta vez causam um impacto maior: Pneus são queimados em plena avenida, criando uma imensa nuvem preta de fumaça, o que tirou a visibilidade de toda a via.

Lojas fecharam as portas. Transeuntes e curiosos param em plena rua, tiram fotos, dialogam a respeito. A passeata que se iniciou com cerca de 50 pessoas, rapidamente dobra de tamanho após esse fato.

A cada dia que passa a população de Recife vem percebendo que o ?aumento das passagens é roubo? e vários setores vem se articulando para parar a capital pernambucana durante esse mês. Os conservadores comandados pela velha oligarquia se utilizam da mídia corporativa no intuito de desmobilizar os setores populares que estão realizando os atos contra esse crime do aumento da passagem.

Eduardo Campos criou a Grande Recife Consórcio para gerir o transporte metropolitano, acabando com a antiga EMTU.

Ao mesmo tempo lança o discurso da gestão democrática, criando conferencias e seminários populares, para se decidir os caminhos para o transporte, além de eleger os representantes do Conselho (2 de usuários comum, um da gratuidade e mais um dos estudantes). Conselho este que contem mais 15~20 membros das prefeituras, estado e setores empresariais. Todos votaram a favor do aumento...

O que chamam de democrática não passa de propagandismo. Um conselho sem uma real representatividade do povo, e decisões coletivas que são simplesmente ignoradas.
Foi decidido em tal ?Gestão Democrática do Transporte Metropolitano? :

Criar e implementar a tarifa única;
Diminuir o preço das passagens;
Garantir o direito universal do não pagamento estudantil das passagens;
Diminuir a taxa de lucro dos empresários do setor de transporte;
Divulgar a taxa de lucro dos empresários;
Segurar a gratuidade na emissão de Carteira de Estudante da criança até os 12 anos;
Criar o Vale Cidadão para pessoas desempregadas, com o apoio da Agência do Trabalho;
Garantir o passe livre estudantil integral;
Entre outras.

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Hoje haverá um ato que promete surpreender os governantes e a elite para promover a passeata de quarta-feira que esta sendo articulada por estudantes, sem teto, sindicatos e ambulantes no intuito de demonstrar a força do poder popular de Pernambuco nas ruas de Recife.

Quarta, as 13h na Rua do Hospício, em frente ao GP!

FONTE: CMI

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

As criaturas de Musabe(Aberetura 07.02)

Bahia de todos os santos e a luta pelo direito ao transporte!

Dia 7 (volta as aulas) vai acontecer o maior ato do movimento, porque tem vários Grêmios estudantis articulados e vão ocupar varios pontos estrategicos da cidade, nossa expectativa é de no minimo 3 mil pessoas, porque são muitos colegios em mobilização, em 2003 consiguimos colocar mais de 40 mil estudantes/pessoas nas ruas, e esse ano nosso objetivo é maior ainda!

Salve salve !São Salvador!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

VEM protestar!(QUARTAFEIRA 9/02/11)às 13h no GP!

"A GENTE NÃO QUER MUITO, A GENTE SÓ QUE TUDO"...

Mística.


 Mística
         

         A mística é a alma de um povo. A mística do MST é a alma do sujeito coletivo Sem Terra que se revela como uma paixão contagiante, que nos ajuda a ‘sacudir a poeira e dar a volta por cima’, que nos coloca no caminho de aprender e estabelecer objetivos a serem alcançados, aprender a formular métodos para transformar a realidade e a empenhar-se na tarefa de realizar os rumos traçados. A mística é a alma da identidade Sem Terra.
A mística é mais do que um tempo, é uma energia que perpassa o cotidiano. Por isso precisamos dela presente no início de grandes atividades e resgatada em vários momentos do dia. Ela é a forma de já ir concretizando, no aqui e agora, a nossa utopia.
            A mística se expressa através da poesia, do teatro, da expressão corporal, de palavras de ordem, da música, do canto, dos símbolos do MST, das ferramentas de trabalho, do resgate da memória das lutas e de grandes lutadores e lutadoras da humanidade... vira celebração e visa envolver todos os presentes em um mesmo movimento, a vivenciar um mesmos sentimento, a se sentir membros de uma identidade coletiva de lutadores e lutadoras do povo que vai além deles mesmos e vai além do MST.
            Ela irriga, pela paixão, a razão, nos ajudando a ser mais humanos, dispostos a desafiar coletivamente os nossos limites; nos impulsiona a ir além do esperado, alimenta os valores e nos faz sentir que somos parte de uma grande família: somos Sem Terra.
            Ela pode se manifestar em diferentes momentos do cotidiano, mas de forma mais forte em momentos especiais e datas significativas dos Sem Terra e dos trabalhadores e das trabalhadoras deste país e do mundo todo.



* Fragmentos do Texto “Método Pedagógico” do Coletivo Político Pedagógico (CPP) do Instituto de Educação Josué de Castro (IEJC)
** Fragmentos do texto “Métodos de Conhecimento e Transformação da Realidade” do Professor Maurílio Nogueira da Silva da UFJF

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